segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Como falar sobre a morte com as crianças?



Não tenho resposta para esta pergunta. Perdi meu avô materno, a quem amava de paixão, aos seis anos. Os adultos na época tiveram dificuldades em falar comigo sobre o assunto. Meu pai, por exemplo, não teve coragem de me contar, me deixou na casa de amigos dizendo que o vê estava no hospital e seguiu para o enterro. Passei o dia inteiro esperando que meu avô melhorasse e quando todos chegaram, deram a notícia. Por capricho do destino, meu pai faleceu 6 meses depois. Morte acabou se tornando um assunto recorrente em casa e , claro, acabei ficando com medo de que outras pessoas da família morressem também e me deixassem sozinha. Anos mais tarde, quando soube que meu pai não tinha conseguido dizer a verdade, julguei-o e condenei-o. Afinal, por que não me falou logo o que tinha acontecido de uma vez? Eu era uma menina esperta, bem mais madura que as demais, era o que diziam. Ele podia ter me contado e poupado o dia em aflição, pensei. Até a vida me colocar a calçar os sapatos do meu pai.

No mês passado, meu filho, aos seis anos,  perdeu o avô paterno e quem teve de dar a notícia fui eu. Naquele dia consegui compreender meu pai e a tristeza que é falar algo a seu filho que o fará sofrer um sofrimento inevitável. A notícia chegou pela manhã e decidimos deixar para transmití-la só mais a tardinha. Quando não tinha mais como evitar, sentei meu menino no colo e falei que o avô que já estava doente no hospital há alguns dias, não havia resistido. Depois de um chorinho baixinho e sentido de uns 5 ( longos ) minutos, tentei conversar sobre minhas crenças sobre a vida e a morte e acho que consegui consolá-lo pelo momento. É duro falar sobre a morte com as crianças, mas quando ela se apresenta, não há mesmo o que fazer, o jeito é tentar abordar o assunto da maneira mais natural possível, oferecer o ombro, o colo e tentar orientá-la a lembrar da pessoa que se foi da maneira mais alegre possível. Pois a vida é assim, o passado já foi, o futuro não existe e o que temos é o presente, seja lá como ele se apresenta, seja lá como o vemos apresentado. Mas, ainda no presente, sempre temos as lembranças.

2 comentários:

  1. Oi, Vanessa. Sinto muito a perda do seu sogro. Meus sentimentos.
    Minha neta, de 5 anos, sofreu a perda de uma "avó postiça" (mãe da atual mulher do pai dela), em dezembro, e passou 2 dias chorando, Até hj fala dela, sempre fazendo uma carinha de dor que nos desarma. Acho que hoje as crianças sabem mais coisas e portanto, absorvem diferentemente do que se absorvia na época em que vc era criança. A morte era escondida mesmo, das crianças, por meses e até anos. Que seu menino tenha boas lembranças do avô e o carregue sempre no coração. Beijo.

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    1. Verdade, Lúcia. Assim como o mundo , as crianças mudaram muito. Obrigada pela visita.

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