sexta-feira, 3 de maio de 2013

A propaganda e o mito da mãe perfeita



Pobres de nós. Esses tempos importantes em que vivemos são doloridos. Nunca as mulheres puderam ser protagonistas de suas próprias histórias como hoje, nunca puderam escolher ser mães, ou não, e quando fazê-lo como hoje. As mulheres nunca puderam tanto quanto hoje. E a que preço. Ao mesmo tempo em que saímos do papel consolidado mulher e mãe e abraçamos inúmeros outros papéis com uma gana que só quem passou décadas dentro de casa poderia ter, veio o sistema , aquele que conveniente nos ajudou a sair do anonimato por necessitar braços para produção e carteiras para o consumo, nos colocar num pedestal. E o fundo do pedestal é um alçapão.

Vivemos a era da ditadura da função polivalente da mulher. Podemos tudo , ao mesmo tempo e de salto. Sim, podemos. Temos saída? Depois de tanta luta ninguém pensaria em retroceder. Seguimos polivalentes e nem reclamamos tanto disso. Parece ser a nossa natureza ou pelo menos esta é a ideia vigente nesses tempos doloridos. Mas será que além de tudo o que temos que desempenhar ainda precisamos mesmo da propaganda nos dizemos que somos mais ainda do que perfeitas? Uma propaganda que diz que temos poderes extraordinários?

Não estou aqui a colocar dúvidas na ligação que mães e filhos possuem. É sim um elo maravilhoso construído muitas vezes ainda na gestação. Outras vezes ele nasce no parto e existem vezes que ele só aparecerá na amamentação, no dia a dia. Mães adotantes não gestam, não parem, não amamentam e também constroem o elo. Pais idem. Nestes tempos onde o amor de mãe se paga com compras é aceitável que a propaganda lute por um lugar ao sol para sua marca usando de todos os artifícios possíveis. Vale até construir mais este mito. A mãe vidente. Não basta fazer tudo bem e de salto , precisamos adivinhar tudo. É o que diz a propaganda do Boticário produzida para o dia das mães de 2013.


E para não dizerem que eu só passo a vida reclamando da publicidade, deixo aqui um filme, também de 2013, que cumpre sua função de valorizar a marca e fala de uma mãe real. 




*imagem portaldemisterios.com

**Sobre o tema recomendo, de Elisabeth Badinter, O conflito - A mulher e A mãe  ed. Record

*** Agradecimentos a Paula Zandonadi Zanirato Tristão pelo mote.

Um comentário:

  1. Queridona, eu que agradeço pelo texto que expressa melhor do que poderia todo esse pensamento. O Boticário mandou super bem no natal, mas infelizmente caiu no cliche de novela da globo no dia das mães...

    Ainda não tinha assistido a essa propaganda da Renner e me emocionei... :-) E ganha pontos extras pelo parto rsrsrsrs
    Que a gente possa mudar essa metalidade de presentes comprados no dia das mães, que venha + amor nesse dia, família/amigos juntos, pois isso vale + que qq coisa...

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