segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Conar veta merchandising com crianças e ainda é pouco



O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) determinou que, a partir de março, as crianças de até 12 anos não poderão participar de qualquer tipo de ação de merchandising em TV, rádio e mídia impressa. O órgão também proíbe a utilização de elementos do universo infantil ou outros artifícios publicitários com o objetivo de chamar a atenção das crianças .O Conar também sugeriu o fim do merchandising de produtos infantis em programas destinados a crianças. Essas ações ficariam restritas aos intervalos e espaços comerciais dos programas. ( fonte Andi Comunicação)

O Conar resolveu entender como não aceitável o merchandising com uso de crianças até 12 anos.  A decisão chegou tarde. Tivesse sido tomada antes, absurdos como os da novelinha Carrossel não teriam acontecido.  Não deixa de ser uma boa medida apesar de não resolver o problema do mal causado pela publicidade infantil. 

Cada vez mais, as crianças são expostas à publicidade de produtos infantis. Desde muito pequenas, quando ainda não possuem meios de compreender a diferença entre uma propaganda e um programa de televisão por exemplo, as crianças brasileiras já são obrigadas a assistir inúmeros filmes publicitários, com os mais variados apelos.

Infelizmente, apesar da medida acima, noticiada com tanta satisfação pelo Conar, o conselho não dá qualquer indício de que pretenda apoiar também o fim da publicidade dirigida a crianças. Segundo o presidente do Conar, Gilberto Leifert - e me espanta que exista quem possa concordar com ele se não for alguém que lucre com propaganda infantil - não se deve impedir a exposição de crianças à publicidade ética. Apesar de bela - estão presentes as palavras criança e ética na mesma frase - a afirmação constitui um paradoxo, uma contradição lógica. Eu explico. Aliás, eu não. Quem explica é o dicionário HOUAISS.


pu.bli.ci.da.de - atividade que torna público um produto ou serviço com intuito de persuadir as pessoas a comprá-lo. 

é.ti.ca - conjunto de preceitos sobre o qual é moralmente certo ou errado.


Pergunto: É possível que uma propaganda feita para crianças pequenas seja considerada ética? Ao ser persuadida a pedir para os pais comprarem determinado produto, a criança estará SEMPRE sendo enganada. Quando o filme publicitário mostra o boneco famoso lutando com efeitos de computador está persuadindo crianças que não sabem que o boneco não tem condições de lutar sozinho. Basta dar uma olhada rápida em qualquer canal infantil. As propagandas estão repletas de efeitos especiais que não correspondem a realidade. Existe um mecanismo de persuasão aceitável para ser usado com crianças?  Uma criança tem noção integral de como se estabelece uma relação de consumo? Tem a criança meios de avaliar a conveniência de uma compra e seu impacto no orçamento familiar por exemplo?  A resposta para cada uma das perguntas é não.

O argumento do Conar e de todos aqueles favoráveis a manutenção dos comerciais criados para convencer crianças a pedir cada vez mais e mais bens de consumo aos pais, não garante acesso dos pequenos à informação. Fosse assim, a propaganda se limitaria a informar a existência dos produtos. Fosse assim, a propaganda estaria preocupada em informar os pais, aqueles que pagam pelo produto no caixa. O que a publicidade infantil garante às crianças não é informação para consumo, é o consumo pelo consumo. O que é uma pena.














2 comentários:

  1. Excelente notícia, Vanessa.
    No entanto, discordo que se possa ser tão taxativo a respeito da publicidade direcionada ao público infantil. Quero dizer, o consumo faz parte desse mundo que vivemos. Aliás, refaço essas perguntas destacadas em vermelho no seu texto, mas me dirigindo ao público adulto. Temos nós "noção integral de como se estabelece uma relação de consumo?"
    Espero que sua resposta seja não, rs.
    E como resolver essa ignorância? Educação, suponho.

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    Respostas
    1. Tenho, sim, noção integral de como se estabelece uma relação de consumo. Além do mais, discordo que seja apenas educação o que falta ao consumidor brasileiro. Falta também informação sobre os produtos que consome, já que a publicidade ao invés de informar na maioria das vezes se resume em encantar para vender. Uma pena um comentário consistente sem assinatura.

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