quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Maternidade é minha bandeira #NOT


motherandson
É mãe de primeira viagem? Não estranhe. Você encontrará, na net e fora dela, um sem número de pessoas levantando bandeiras acerca da Maternidade. É possível que tenha ficado espantada. Eu me espantei. Afinal, como se não bastasse que de uma hora para outra sua realidade tenha virado do avesso, como se uma porta pequena no fundo do seu armário tivesse sido descoberta e ao ser aberta você descobrisse uma realidade paralela até então completamente invisível. Seja bem vinda ao incrível mundo da maternidade.

É chata a parte em que as mães só falam dos seus filhos. Mas, é compreensível. No início, quando tudo é aprendizado, é normal que o cérebro concentre todos os esforços – e fluxo sanguíneo – para que você complete o quebra-cabeças. Então, tudo bem. Você conversa sobre amamentação, parto e refluxo à exaustão. A partir de uma fase do jogo porém, você já começa a encontrar as peças sozinha e com mais facilidade, por tentativa e erro. Não existe curso pra mãe. Chegará finalmente o dia em que você descobrirá que o quebra-cabeças veio com peças faltando. Ele nunca será completado. Maternidade é como todo o resto nas relações humanas: a gente só vive, vivendo.

Mas, voltemos às bandeiras. Elas existem em todos os tipos e tamanhos. As grandes e imponentes como a bandeira dos Estados Unidos, as pequenas e frágeis como as bandeirinhas de São João. Tem mãe querendo pautar toda a humanidade pela sua experiência. Assim, se seu parto não foi normal, esqueça. Você não é uma mãe séria. Não amamentou? Que espécie de ser humano é você? Seu filho está no berçário para que você possa trabalhar?  Crueldade. Seus motivos, sua vida e dificuldades não são levadas em conta. A  bandeira da Maternidade é sagrada e não admite discussões.

O ser humano tem instinto gregário, procura estar sempre cercado de outros humanos, seres como ele. Deste modo, as mães com bandeiras costumam estar juntas e falam sobre o que acreditam. Pode ser algo útil à coletividade ou totalmente desnecessário. Assunto é o que não vai faltar. Até aí, você pode imaginar, não há problema. Cada um tem o direito de pensar livremente. Correto. Até a página 20. Porque na 21 algumas bandeiristas começam a abordar você diretamente para dizer como você deve se comportar e afirmam que o modo delas é o único que vale a pena, como se isto tivesse algum sentido. O jeito certo é o jeito que dá. O que a vida e as suas circunstâncias permitem. O que não pode faltar é amor mas, como estamos falando de mãe, esta parte ficou óbvia, vamos pular.

Não deixe que outras mães digam a você o que fazer. A Maternidade é sua, o filho é seu, assim como erros e acertos advindos da sua condução do Projeto Filho. Lembro de já ter escrito sobre algo parecido mas como o assunto não se esgota, pois a cada dia pipoca mais uma bandeirista lá vai: A única bandeira possível a uma mãe é seu filho. Por ele mudamos de ideia nos mais diversos assuntos e nos pomos a pensar sobre outros tantos que nunca nos ocuparam, desistimos de planos, criamos outros, abraçamos causas – não bandeiras – unicamente por ele. Quando a Maternidade se apresenta achamos a porta escondida no fundo do armário e com ela uma chave, achamos tudo o que havia sido perdido e até coisas das quais nunca nos demos conta. Acende-se uma luz num ponto incerto do coração que servirá como farol para todas as jornadas da vida. Tá, posso ter exagerado na linha, mas sou uma mãe apaixonada pelo meu filho. Relevem. É minha bandeira.

* imagem Willow Tree.com

4 comentários:

  1. Ótimo, concordo em tudinho! Abs.

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  2. Nem imagina o qto me agrada ler teu post, Vanessa.As vzs fico tao entristecida (mesmo) com essas tais bandeiras que so servem para desunir e enfraquecer. Sem contar que, pessoalmente, a gente cresce muito qdo ouve o outro de vdd. Se eu acho q o certo eh amamentar ate 10 anos pq nao me dou ao trabalho sequer de ouvir quem pensa diferente? E ir alem e continuar a conversa sem ja cortar a relacao ja colocando a pessoa bem p/ fora do grupo. Eh como vc tratou no livro tbm. Vou compartilhar com uma porcao de maes q conheco e que sentem-se tao mal com os comentarios q andam ouvindo... Beijao, querida!

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  3. Vanessa, adorei. Também penso assim! Bjo

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  4. Vanessa, adorei. Também penso assim! Bjo

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