sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Muito Além do Peso deveria estar no horário nobre da TV



Foto:divulgação

Muito Além do Peso , documentário de Estela Renner, é daquelas experiências em cinema que doem. Não só por que é real, mas por que é real e acontece com crianças. Sempre ouvimos falar em obesidade infantil, seus riscos, consequências. Ninguém deseja o filho obeso, é claro, e se dependesse dos pais, única e exclusivamente, não haveriam mais de 33% de crianças obesas no Brasil. Infelizmente, não depende só dos pais. Estamos sendo, o tempo todo bombardeados com a propaganda da comida porcaria. As crianças  que foram apresentadas a refrigerantes, salgadinhos e doces já tiveram este tipo de produto incorporado à sua dieta. Tudo isso faz parte de uma ideologia de consumo que passa pela perspectiva cultural. Um suco de caixinha, com apenas 1% de fruta, tem conotação muito superior a de uma fruta no ranking do status para essas crianças. Desta maneira, comer fruta é uma coisa sem graça, coisa de pobre. Consumir porcaria industrializada, isto sim, é on.



Rever os hábitos, depois de instalada a comida porcaria, que é gostosa dado o alto índice de sal, gordura e açúcar que refastela as papilas gustativas, é muito difícil e somente 1 em cada 4 crianças obesas conseguira se tornar um adulto magro. Imagine o custo. Ver crianças reclamando na tela de não poderem correr, brincar por mais tempo e que por isso passam o tempo livre sentadas diante da tv corta o coração de qualquer mãe. Ainda mais de uma que tem um filho tão saudável, que come sim suas porcarias mas muito raramente.



Uma das cenas do filme que mais chamou a atenção foi a fala de Jamie Oliver , este homem extraordinário que , nascido na Inglaterra sabe fazer comida com sabor - o que por si só já é espantoso - e ainda tenta engajar o mundo a voltar a cozinhar sua própria comida ao invés de sentar todas as noites em frente a um prato pronto. Em dado momento Oliver diz que nós mesmos, que estamos na casa dos 35/40 anos, quando éramos crianças comíamos hambúrgueres ocasiões especiais e todas essas bobagens. O que era diferente? A exceção. Para a geração de crianças de hoje, comida porcaria virou regra. E isto vai fazer com que vivam menos e em pior qualidade que nós.

gráfico apresentado no documentário

Tudo o que consegui pensar após a exibição foi que é preciso resistir a esta invasão cultural - como destaca Elisabetta Recine , do Conselho Nacional de Segurança Alimentar - em que todos se alegram ao poder comer exatamente a mesma comida em qualquer ponto do planeta. Como se não compreendessem o quão pobre culturalmente isto é. Se uma nação não pode mais degustar sua própria comida, ela está certamente se perdendo , sendo ingerida pela cultura que impõe seu estilo alimentar e pagando um preço alto por isso. Sendo que , por outra lado, poderíamos até estar comemorando. Pois se sempre quisemos ser como os norte americanos , agora estamos bem perto. Muito perto de sermos redondos e com altas taxas de colesterol e índice de diabetes como eles.




Um comentário:

  1. Vanessa, tenho uma filha de 4 anos e sou muito preocupada com a alimentação. Importante as pessoas terem consciência de que alimentar um filho não se trata somente de encher a barriga mas sim de garantir qualidade de vida, saúde, mais atenção para os estudos, etc. Muitos dos coleguinhas dela já trocaram o suco natural por refrigerante, a alimentação saudável por lanches industrializados e outras porcarias. Alimentar bem dá trabalho e exige grande paciência, mas o retorno certamente é real.

    Adorei seu post!

    Abraço,

    Michele


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