quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Criança vestida de adulto




No último dia 13 participei do 6o ENEC, Encontro Nacional de Estudos de Consumo representando o Coletivo Infância Livre de Consumismo, realizado no Rio de Janeiro. Especialistas apresentaram palestras sobre o tema Vida Sustentável: práticas cotidianas e consumo e pude assistir à apresentação de um trabalho específico sobre publicidade infantil : Filha pode usar a mesma roupa que a mãe? Um estudo preliminar sobre a adultização da moda infantil* A pesquisa usou dois casos de grande repercussão como base para os estudos. O primeiro foi este outdoor usado pela grife Lilica Ripilica em 2008 para marcar o lançamento de uma coleção. A campanha intitulada Use e se lambuze evitou o uso de símbolos do universo  infantil para apresentar inúmeros elementos eróticos na foto de uma criança. 



Segundo a pesquisa os entrevistados sem exceção - adultos com filhos e sem filhos na mesma proporção - repudiaram a imagem . Como não poderia deixar de ser. A campanha foi retirada após ações do Ministério Público movidas após denúncias de pessoas indignadas com o outdoor.


O segundo caso foi o da venda de sutiãs com enchimento para meninas a partir de 6 anos nas Lojas Pernambucanas , relembre aqui na matéria da Folha de S. Paulo. Segundo as pesquisadoras, somente uma das entrevistadas, uma mãe de menina aprovou a campanha por considerar que ajudava a aumetar a auto estima das crianças. 


Como o estudo é preliminar, não foi apresentada uma conclusão para este fenômeno de adultização da moda para crianças. Eu, apenas uma mãe como todas as outras, que lê um pouco sobre o assunto, tenho minha modesta opinião. Há muito tempo a propaganda vem deixando de apresentar as crianças como crianças. Cada vez mais vemos filmes e fotos publicitárias que retratam crianças como adultos, com caras e poses que crianças não fazem. A intenção, claramente para esta que vos escreve, é a de acelerar ao máximo  a adolescência uma vez que nesta faixa etária estão consumidores em potencial, que demandam uma diversidade de produtos ainda maior que as crianças. O movimento da adultização a meu ver é imposto por alguns setores da  indústria e não pela sociedade.

A infância é a melhor fase da vida e a mais importante, de onde tiramos nossas melhores lembranças , onde vivemos nossos melhores momentos. Por que antecipar algo que virá a seu tempo? Só para vender mais? 

A coisa é tão gritante que até os solteiros , como diz a pesquisa, se incomodam com a abordagem da propaganda. Já leram este artigo É isso que estão querendo fazer as crianças vestirem hoje em dia? no Papo de Homem? Vale a pena. E você , o que pensa em relação a isso? 


* Trabalho de Renata Armelin Ferreira Barros, Tânia Maria Almeida de O. Gouveia ( UBAPE/FGV) Denise Franca Barros ( UNIGRANRIO) 

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