sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A Papinha do meu filho quem fez fui eu




Fui uma profissional liberal super ocupada até o nascimento do meu filho. Depois disso me tornei mãe, blogueira e escritora super ocupada. Quando eu era profissional liberal super ocupada, meu conhecimento culinário  não era tão raso quando um pires de chá e minhas excursões à cozinha limitavam-se à hora da sede - alguém precisa ir até a geladeira para pegar água -  aqueles dias da tpm quando precisamos de um brigadeiro desesperadamente e no hobby de fazer pães.

Lembro que primeira coisa que pensei quando aconteceu uma gravidez não planejada foi : Mas, eu não sei cozinhar como uma mãe,  #comofaz? Daí eu botei na cabeça que teria aproximadamente um ano e alguns meses para aprender a cozinhar . Mães são aquelas pessoas que fazem coisas gostosas. Era assim a minha avó , a melhor cozinheira do mundo e a  minha mãe - longe da melhor do mundo mas, bastante razoável , comida digna de mãe . Gente, eu não sabia fazer um feijão, não me refiro a um feijão decente, digo um feijão qualquer. Nem arroz eu fazia. 

Foi aí que comecei com tentativa e - bastante - erro. O marido - que sempre cozinhou  - ajudou e a mãe passou umas receitas. E lá fui eu, tentativa e mais erro. Quando chegou a hora das papinhas eu já não me assustava mais com as panelas. Vivi uma deliciosa aventura experimentando as receitas tradicionais e inventando algumas novas . Adorava cozinhas e ver meu bebê todo lambuzado aprendendo a comer a comidinha da mamãe foi uma das experiências mais maravilhoras daquela fase. 

Preparar papinha não é nada complicado. Um purê de frutinhas e  leguminhos com temperinho fresco não dá trabalho para fazer, nem toma tanto tempo. Lembro que usava o horário dos cochilos dele para preparar as papinhas. Existem coisas que nos consomem  muito mais na maternidade. A papinha é bico. 


Ontem, descobri que uma revista conceituada está fazendo uma campanha pesada relacionando o preparo da papinha à algum tipo de culpa que possa a maternidade causar na mulher e isto me deixou besta. A publicação convidou mães a falar sobre sua experiência com a papinha pronta, de potinho ,e algumas narram como passaram a dar a dita aos filhotes liberando-se da culpa e do tempo (?) no fogão, industrializando a alimentação dos filhos desde muito cedo. 

Este blog nunca teve cunho didático, quem acompanha minhas postagem já deve ter percebido que nunca digo faça isso ou faça aquilo com seus filhos. Quem sou eu para dizer isso? Sou a mãe do Ernesto e minha especialidade é só ele. Cada um faz o que acha melhor. Mas, relacionar culpa com papinha foi demais pra mim, daí este post. E como só existe uma empresa no Brasil que produz este tipo de alimento para crianças, não dá para imaginar outro gigante que esteja por trás desta ação. Uma pauta dessas só pode ter sido gerada pelo interesse em vender papinhas.

Eu não sou uma mãe xiita - antes que me esqueça. Nunca dei papinha industrializada para meu filho porque não foi necessário. Não surgiu nenhuma emergência que me fizesse precisar a recorrer a elas. Sim, porque o que eu penso sobre comida industrializada para bebês é que são artifícios que existem para socorrer a mãe em uma situação de emergência. Não como regra de alimentação. E não estou dizendo isso porque ache que existe veneno dentro das papinhas. Mas, por que privar meu filho de experimentar a maior variedade de novos sabores justo no momento em que ele está construindo sua memória gustativa? Por que limitá-lo ao gosto da comida pronta quando comer é um prazer tão novo para ele? Será que economizar meia hora de fogão vale isso? Sei lá, viu? Deveriam arrumar um outro jeito de incrementar vendas, um jeito que não usasse a vulnerabilidade das mães.




Um comentário:

  1. Vanessa.
    agora confundiu tudo aqui.
    A campanha diz que as mães que cozinham a papinha é que sentem alguma culpa?
    Meu Pai... culpa de quê? De acompanhar o desenvolvimento do filho, inclusive da alimentação?

    Ou será que a culpa é por dar a papinha industrializada?
    Eita... que confusão.
    Extremos não ajudam a gente em lugar nenhumm,né.
    Eu nunca dei papinha industrializada.
    Não foi preciso... Mineiro adora um anguzinho com caldinho de feijão, rs
    E este processo foi relativamente fácil.
    Sem culpas.
    Cada pessoa deve avaliar sua rotina e sua vida, suas condições, mas é gostoso sim preparar a papinha e ir vendo aquelas boquinhas sujinhas de feijão, tentando segurar a colherzinha, rs

    Deixo o meu abraço pro seu filhote, que deve ter se amarrado nas papinhas da mamãe, né.]
    bjs.

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