terça-feira, 26 de junho de 2012

Leia os clássicos para seu filho, por favor.





Criança tem uma lógica particular e a todo momento, apesar de acharmos lindo os modos como fala e pensa,  levamos a uma consulta no fonoaudiólogo e a incentivamos a ser racional como um adulto. As crianças de antigamente, tinham mais acesso a histórias  - através de livros ou oralmente transmitidas por pais, tios, avós - que falam da natureza humana, seus sonhos e medos de uma maneira tão poética que até hoje são considerados clássicos. E clássico, apesar do nome dar a ideia de algo sério e, por que não dizer,  tedioso, é somente aquilo que continua a fazer sentido através das gerações. Aquilo que o passar do tempo, a renovação tecnológica,  os ideais de cada era não terminam por liquidar. Então clássico é o aquilo que faz todo o sentido para nós assim como fazia para o pessoal da época em que foi criado. Tão importante quanto ler os clássicos é procurar histórias de encantamento de autores contemporâneas - mas acredite, a maior parte delas trazem referências  ou foram inspirados nos grandes clássicos.

Meu filho tem 4 anos e é um menino de seu tempo. Ama Ben 10 e corridas de fórmula 1, acaba de descobrir-se um boleiro desde que entrou para uma escolhinha de futebol, usa meu tablet melhor do que eu,  e ainda nem sabe ler. A oferta de livros para meu filho é abundante porque eu sou uma leitora compulsiva e , sinceramente, gostaria que um dia ele também fosse um. Meu desejo não passa de coisa de mãe que sonha seus sonhos para o filho, onde ele encontrará satisfação pessoal, na verdade, é assunto dele. Mas, tem uma coisa que, na condição intransferível de mãe, não lhe posso sonegar. Trata-se do direito ao encantamento. E isto é algo em que Ben 10 falha , pois trata-se apenas um incrível menino que se transforma em alienígenas com a ajuda de um relógio e isto é bastante plausível nos dias de hoje. 

Semana  passada apresentei o meu menino à Alice no País das Maravilhas, pois julguei que ele já estava preparado para esta história - até hoje me pergunto se é mesmo para crianças - maluca  e cheia de sentido, de Lewis Carrol. Antes de levá-lo ao teatro para assistir a uma montagem , contei o que eu sabia para ele. Falei dos personagens e, diante do inusitado, ele se interessou. Ainda está na fase maniqueísta que pergunta a todo tempo quem representa o bem e o mal na história para se sentir seguro. Sente medo o representante do mal e simpatia pelo representante do bem. A falta de lógica do País das Maravilhas o deixou absolutamente sem referências: " Por que ninguém deixa Alice beber o chá , esse cara do chapéu é maluco, mãe! Essa  rainha é a do mal? Por que a Alice não volta para casa logo? Ela vai morrer?! Explica, mãe,  por que ela não morreu?"

Respondidas às perguntas, quando cheguei em casa, li um trecho do original de Lewis Carol e passei o desenho de Disney, mais fiel ao texto do que a peça. Ainda pretendo mostrar o filme de Tim Burton mas, antes disso ele precisa formar uma ideia mais concreta da história. 

O personagem preferido do meu filho foi o coelho sempre com pressa, sempre nervoso , sempre fazendo Alice correr atrás dele e, sempre atrasado. A melhor parte foi ver Alice encolher e crescer para passar pela porta logo que cai do buraco na toca do coelho. A melhor parte para mim foi ver seu encantamento com uma história publicada em 1865 . 

Livros que ajudam a criança a largar a chupeta, as fraldas, a lidar com a morte, com a separação dos pais, são importantes para fases pontuais do desenvolvimento. São os livros que estimulam sua fantasia os que ajudarão a formar o ser humano. Por favor, conte clássicos e histórias contemporâneas de encantamento para seus filhos. Ainda que eles não se tornem leitores compulsivos no futuro, terão sido crianças felizes.


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