terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Como se educa para o consumo?




Ser pai e mãe é um trabalho difícil. E por muitos motivos. Um dos principais é a educação para o consumo, a palavra de ordem do nosso tempo. Consumir é uma necessidade diária da qual ninguém foge, nem mesmo os que fazem conscientemente. Acordamos e consumimos um belo café da manhã, tomamos banho e consumimos o sabonete tal, o shampoo x, a toalha y . Vestimos a roupa da marca z, calçamos os sapatos abc e rumamos para o trabalho. Dirigindo o carro qualquercoisa ou de transporte coletivo, chegamos até ele. Trabalhamos o dia todo para mantermos nossos níveis de consumo que incluem, além do necessário , o supérfluo e , em alguns casos também o luxo. Estamos presos ao consumo como um peixe no aquário. Mesmo querendo sair, sabemos que podemos morrer tentando, podemos morrer se formos bem sucedidos, podemos morrer de qualquer maneira. Só resta nadar com alguma prudência e seja o o que Deus quiser, tomara que não apareça nenhum gato.


Tenho dificuldades para adorar um discurso anti consumo que surta efeito com meu filho. Converso  sempre que possível e ele não ganha presentes fora das datas festivas. Ainda assim , ele, aos quatro anos e meio tem dificuldades em compreender coisas como dinheiro, trabalho, o valor das coisas e o consumo. A relação com os colegas da escola não ajuda muito, todos os dias aparece uma novidade que ele descobre por lá e trás a ideia para dentro de casa. A televisão a mesma coisa. Mesmo limitando o acesso, a luta é desleal, até na tv a cabo a propaganda para crianças rola solta. O verbo comprar é usado por ele todos os dias ou, melhor dizendo , várias vezes ao dia. " O que você compô hoje, mãe?" " Eu quero ganhar um ......, você me dá?" O comportamento dele em loja de brinquedos então, é singular. Pelo menos para mim. Pode até ser que as outras crianças também se comportem assim mas, eu realmente não sei. Ele pede de tudo em menos de 10 minutos e ao ouvir um não, passa imediatamente para o próximo item. 'E isso, mãe?' Comecei a notar que ele quer comprar pelo ato de comprar e não pela coisa em si e, é claro também para mostrar para os  outros . Virou uma perua consumista, mas é um menino de 4 anos.

Quando a história do me dá começou , eu respondia na base do embromation. Dizia que ia ver se dava para  comprar a tal coisa e ia levando. Mas o menino é esperto e ele que foi tentando me levar, pedindo , pedindo e pedindo para ganhar essa , aquela e outra coisa. Eu não cedo, não dou, mas ele continua pedindo. Até que chega o dia em que eu resolvo encarar o bicho - o bichinho - de frente e respondo:' Não, não vou dar, quando chegar seu aniversário voltamos a falar no assunto'.' Não vai dar? ' ' Não'.' Buáaaaaa'. E chora por cinco minutos. Ainda não é o ideal mas estou tentando aperfeiçoar a técnica. Não dá para colocar o carro na frente dos bois e querer fazer uma explanação completa sobre o tema para ele, mas dá pra falar não esperar o choro acabar. 

E esta é a minha triste história. Eu sei que se insistir - e  o farei - conseguirei mudar seu comportamento e trazê-lo para níveis aceitáveis de consumo. Mas, ô tarefa ingrata! Agora o que eu gostaria é de ouvir de outras mães #comofaz. Podem me contar? Vale nos comentários ou um post se desejarem sobre isso. Podem chamar de blogagem coletiva, de meme ou de debate no blog. Como se educa para o consumo?

Para saber mais sobre consumismo infantil - Instituto Alana 

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