terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre as nozes e a falta dos dentes




Como os frequentadores do blog sabem, eu gosto de livros. Gosto de ler e não acredito que o fato de ter lido e continuar lendo bastante me faça melhor que qualquer pessoa. O que aconteceu é que ler me salvou da ignorância. Tive uma educação média brasileira. Cursei uma faculdade, mas isso por aqui parece não querer dizer muita coisa, já que poucos lugares que oferecem cursos de nível superior no Brasil merecem o título Universidade. O que salvou foram os livros mesmo e a vontade de ler.

Quando fui informada sobre os números do último Censo sobre a alfabetização no Brasil, custei a me recompor. Ouvindo a análise de uma parte da mídia parece que a coisa melhorou, que estamos indo bem. É , bem estamos indo. Bem ladeira abaixo. 


Ouvir que 3,9% das crianças de 10 a 14 anos ainda não estavam alfabetizadas em 2010 parece leve de digerir. Só 3,9%.  Já saber que em números absolutos isso representa 671 mil crianças, dói no coração e nessa conta não entram os adolescente e os adultos. Dói no coração quando penso no meu filho, a quem ofereço oportunidade de letramento suficiente para ele estar desperto para ser alfabetizado aos 4 anos, todo feliz identificando e juntando suas letrinhas, ouvindo histórias, tendo acesso a livros, a contos de fada, jornais, revistas, computador, teatro e a uma mãe leitora compulsiva e escritora. Estou criando meu filho com a preocupação de fazer dele um leitor crítico de tudo o que ler e do mundo a sua volta para que ele sofra a mesma decepção com este mundo que sofro agora. Ainda que eu esteja certa de que esta não é a resposta deu vontade - uma vontade grande mesmo - de sair para o voluntariado e ajudar a matar a fome de letras de uns 3 ou 4 como as pessoas fazem ao distribuírem o sopão na madrugada. Sim, porque a nutrição completa mesmo , só quando os que nos governam pegarem o dinheiro que nos tomam para algo pensado com razão para mudar o estado de coisas.

Pensado para sair da mesmice do debate isolado da qualificação do professor, da merenda e do audiovisual, das práticas esportivas, da música, dos projetos culturais por que isso , todo mundo sabe que é preciso e relevante. Pagamos a estes governos por meio de um Contrato Social - que bem que poderia ser revisto - para gerenciar nosso dinheiro e nos dar o que precisamos e precisamos - além de tantas outras coisas que dela dependem diretamente - alfabetizar e educar para a razão todas essas crianças transformadas em  números pelo Censo do IBGE. Custariam  mais uma ou duas gerações e depois disso teríamos um futuro pela frente.

Este texto faz parte de uma reflexão que está também hoje no post Notícias do fundo do poço no  blog Fio de Ariadne.

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