sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mães pelo mundo - Canadá





O mães pelo mundo hoje conversa com Luciana Azevedo que escreve no blog Nicolando por aí. Há oito anos fora do Brasil, com 3 de Venezuela e dois e meio na Austrália, Luciana agora está no Canadá fala um pouco das suas impressões maternas da vida lá fora e como é a criação do pequeno Nicolas.


Blog -Como seu filho  vivencia sua dupla identidade cultural? Como ele se adaptou a nova cultura?
Luciana - Nicolas nasceu acostumado à essa dupla identidade, já que desde o nascimento experimenta a cultura brasileira dentro de casa e uma outra fora. Ele agora tem 3 anos de idade, e embora sempre tenha falado somente português (já que é o único idioma que falamos em casa, desde que eu e meu marido somos brasileiros), percebo que ele interage cada vez mais e tenta se comunicar com outras crianças que não falam a língua dele. E há duas semanas  o processo tem se intensificado, já que começou a frequentar uma escolinha pela primeira vez. Nos primeiros dias notei que ele ficou bem cansado, talvez pelo desgaste de tentar se comunicar, mas aos poucos ele está se adaptando e aprendendo novas palavras do inglês.  
Blog - Como é  o lazer das familias no Canadá ?  Já postou sobre isso?
Luciana - Aqui o lazer é muito voltado pras atividades outdoors, faça chuva ou sol. E pra incentivar isso, tem muitos parques por toda parte, muitas trilhas no meio da natureza com infraestrutura como banheiros e bebedouros. As pessoas são em geral muito ativas e adoram andar de bicicleta e fazer caminhadas - pras quais sempre levam os filhos, independente da idade deles.
Eu já postei aqui (http://nicolandoporai.wordpress.com/2011/04/25/tudo-o-que-a-pascoa-pode-oferecer/) uma caminhada típica que os canadenses adoram fazer, a subida de uma montanha de 600m (The Chief) a 70km de Vancouver. A gente demorou 2h pra subir - com meu marido carregando o Nicolas numa mochila. Achamos que seríamos os únicos com criança, já que a subida é muito íngreme, mas nos surpreendemos muito com a quantidade de crianças e cachorros que acompanhavam os adultos na caminhada!
Já no inverno, as atividades mudam um pouco e quando as pessoas não estão esquiando, buscam as atividades oferecidas pelos Centros Comunitários, como patinação no gelo, hockey, futebol, natação e outros, mais indoors.
Eu conto sobre minha primeira experiência com o esqui aqui (http://nicolandoporai.wordpress.com/2011/03/08/aprendendo-a-esquiar-e-receita-de-pao/9)

Blog - Pode contar como funciona a rotina das mães onde você mora. Existe um bom sistema de creches ou as mães ficam em casa? As mães se relacionam, criam comunidades? Existem babás?
Luciana - Aqui as creches são boas, mas são muito caras, além de que é dificílimo conseguir uma vaga. As listas de espera são infinitas e muitas vezes demoram meses ou anos pra chamar. O mais comum mesmo é ver mães (e algumas vezes até pais) abrirem mão da carreira pra ficar em casa com os filhos até que atinjam a idade escolar. Aqui a criança com três anos começa a frequentar o preschool que costuma ser só metade do dia e muitas vezes só 2 ou 3 vezes por semana, e aos cinco começa o kindergarten, quando passa a ficar de 9 às 3 na escola. 
Existem muitos grupos de mães e filhos pra se participar. Em geral esses encontros ocorrem nos Centros Comunitários ou nas próprias casas, onde as mães se revezam pra receber umas às outras. É uma excelente oportunidade pros filhos interagirem com outras crianças e pras mães poderem trocar experiências e fazer amizades.
Já babá aqui é artigo de luxo mesmo e são contratadas somente em ocasiões especiais, muito diferente do Brasil onde é comum ver babás morando com a familia, acompanhando em festas, viagens e passeios. No Canadá, pra quem precisa de uma ajuda diária, uma opção mais popular são as au pairs, pessoas estrangeiras que veem morar com a família e em troca ajudam a cuidar dos filhos e dos afazeres da casa.
Blog - Quais as principais diferenças culturais e econômicas e educacionais você encontrou aí em relação ao Brasil no que diz respeito a criação dos filhos, relacione prós e contras , por favor.
Luciana - Um das grandes diferenças que eu noto é que as mães brasileiras tendem a ser mais protetoras com os filhos que as daqui. Apesar de aqui passarem mais tempo com os filhos nos primeiros anos de vida, observo que em geral elas deixam os filhos experimentarem mais coisas sozinhos e terem mais responsabilidades dentro de casa. Eu levei um pouco de choque ao perceber o tanto que eu fazia pelo Nicolas e que ele já poderia estar fazendo por ele mesmo. O quanto de cuidado que eu tinha com ele, o medo de deixá-lo arriscar, fazer o “impossivel” e se machucar, sair frustrado. Hoje em dia eu já aprendi muito a soltá-lo mais, mas é algo no qual eu tenho que trabalhar sempre, pois não é natural pra mim, não foi a forma como fui criada. Mãe brasileira é realmente super maternal!!! Eu falei mais sobre essas minhas descobertas AQUI (http://nicolandoporai.wordpress.com/2011/02/18/voa-passarinho/).
Além disso, noto com muita constância, que é natural pras crianças aqui dizerem obrigado, por favor, com licença e pedirem desculpa. Aliás, noto isso muito forte nos adultos também. Mas o importante, é que isso não fica só nas palavras, mas também na maneira de agir e tratar os outros, o respeito pelas leis, o respeito no trânsito, a educação nas filas, etc. E se as crianças têm o exemplo dos adultos, com certeza vão imitar e passar isso adiante. 
Já uma diferença econômica é que no Canadá a gente vê o retorno do imposto que pagamos, o que faz com que os sistemas de saúde, educação e segurança funcionem. As escolas públicas daqui são muito boas, as salas de aula têm infraestrutura e os alunos são de todas as partes do mundo (o que facilita conhecer e respeitar as diferentes culturas).
Claro, que aquele calor humano gostoso e aconchegante que temos no Brasil é algo que sempre vamos sentir falta. As pessoas aqui são sim mais frias, e respeitam até demais o espaço umas das outras. Mas não se pode ter tudo nessa vida, né? :)

Agradeço à Luciana pela entrevista e aproveito para convidar os leitores a conhecerem seus desenhos, cada um mais lindo que o outro . Olhem só.

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