sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Mães pelo mundo - Angola






O mães pelo mundo esta semana vai até Angola conversar com a brasileira Tatiana Lucia, mãe do João Pedro que escreve o blog MEU CHOCOLATE E EU . Vejamos as impressões de uma mãe brasileira em Angola depois das últimas conversas com Europa e América.


Blog -Há quanto tempo você mora fora do Brasil? Seu filho nasceu fora?
Tatiana- Estou fixa aqui desde 2008, porém nesse ano, talvez lutando com a adaptação fiz mais ponte aérea Brasil-Angola, do que morei. rs logo sao 3 anos. O filhote nasceu aqui em 2010 tendo hoje 1 ano e 2 meses.

Blog -Como seu filho  vivencia sua dupla identidade cultural? Caso vc esteja fora há pouco tempo, como ele se adaptou a nova cultura?

Tatiana - Com ele nasceu aqui sua adaptação tem sido muito natural, sem contar que no rumo de transformação e crescimento que está Angola, conseguimos viver aqui muito bem, sem sofrer tanto com as diferenças culturais.

Blog -Como é  o lazer das familias em Angola ? Você mora em Luanda? Se você já postou sobre isso, pode mandar os links?

Tatiana - Moro em Benguela, na cidade de mesmo nome, 2ª provincia mais importante do pais depois da Capital, Luanda. Porém pequena com um pouco mais 2.000 000 de habitantes. Um lugar ainda calmo, sereno com clima seco e quente mas rodeada de praias. Bem gostoso de morar. Bom escolhi morar aqui então procuro sempre pelas melhores das melhores opções, mas não posso mentir, ainda são poucas. O governo provincial restaurou recentemente com obras de revitalização as principais praças e jardins que costumam ficar cheias nos fins de semana, mas a principal atividade de lazer ainda são as praias.Tem praias inclusive, praticamente desertas pra se aproveitar, além de cachoeiras, espaços exclusivamente verdes, algumas reservas com preservação de animais. Por outro lado, se eu sinto vontade de mais opções ou de algo parecido com aquele movimento que temos no Brasil, viajamos pra Luanda, que já ferve. Onde conseguimos um pouquinho de tudo que gostamos, shopping, cinema, teatro, exposições, engarrafamento(rs), além da curtição gostosa que é viajar, já que são 400 km de distância. Isso quando comprometidos com o trabalho não conseguimos viajar pra nossa pátria amada, nossa porque maridão é metade angolano, metade brazuca, já que morou por 20 anos e é apaixonado pelo Brasil.
 
Blog - Pode contar como funciona a rotina das mães onde você mora. Existe um bom sistema de creches ou as mães ficam em casa? As mães se relacionam, criam comunidades? Existem babás?


Tatiana- Posso tranquilamente falar, fazendo um apanhado de diferentes classes socias existentes nessa província. As mulheres estão na rua, estao trabalhando. Por isso com facilidade podemos encontrar um sistema de creches ou o serviço de babas, esse ultimo mais utilizado. Porém como falamos de uma sociedade pautada na familia, sobretudo numerosa, muitas crianças ficam sob os cuidados das avós, irmãos, tias.
Meu filhote fica em casa comigo e será assim até que ele tenha idade pra frequentar o ensino primário.
Não tenho conhecimentos de comunidade de expatriados realmente organizadas. Vale contar que a maioria de expatriados aqui ou são homens totalmente adaptados a cultura angolana, alguns até casados com mulheres angolanas ou pessoas que estão aqui por tempo determinado. Fora isso, existem as relações naturais de ambiente de trabalho como acontece em qualquer lugar do mundo. É claro que funciona uma certa solidariedade mas no geral é cada um por si.
Culturalmente Angola pratica a sentada, reuniões familiares ou de amigos frequente semanalmente nos quintais das casas. Os relacionamentos são essencialmente feito deste modo.

Blog - Quais as principais diferenças culturais e econômicas e educacionais você encontrou aí em relação ao Brasil no que diz respeito a criação dos filhos? 

Tatiana - O Pais está literalmente em reconstrução, em crescimento. Foram quase 30 anos de guerra civil e só 9 de Paz. A pobreza e a diversidade social é gritante; custo de vida altíssimo  poucas opções de lazer. No inicio foi difícil me acostumar, mas aos poucos nos adaptamos. E aproveito o que a terra nos oferece, como citei acima.

Tem muita coisa pra se fazer. Mas o país tem pressa, o que é importante e se o considerarmos como renascendo, ele tem a possibilidade de escolher e optar por caminhos mais rápidos, se espelhando em programas exemplares de outros países que deram certo. Angola depois de Portugal, respira Brasil; até brinco cantarolando Caetano Veloso - “Isso aqui ô ô é um pouquinho de Brasil ia ia”.

O mercado está aberto e aquecido com novidades e o boom de investimentos estrangeiros do Brasil e da Europa em geral em todos os setores. Desde Construção civil a entretenimento cultural. Sem contar que nós brasileiros somos muito bem recebidos aqui. O povo é acolhedor e apesar da saudade que sentimos da família, as oportunidades pelo menos pra mim, estão aqui no momento. No quesito educacional posso destacar o incentivo à prática de esportes desde a base. Torneios, campeonatos e real acompanhamento dos alunos. Já podemos contar com instalações de instituições educacionais estrangeiras com conteúdo pedagógico de qualidade a atenderem algumas de nossas necessidades. Em resumo, não posso fazer comparação  pois Angola renasce e Brasil já esta pronto, jogando com raça, delicadeza e bravura junto as grandes potências.


Minha reflexão de um modo geral é que Angola esta indo bem, nossa vida esta aqui e cabe a nós a adaptação e retirarmos o sumo do que for de melhor.

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