sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Mães pelo mundo - Inglaterra





O Mães pelo mundo desta semana traz uma brasileira que vive em Londres e edita o blog Faça de sua vida uma obra de arte! É a Graziela, mãe do fofo do Nicolas , aproveite para conhecer o Faça de sua vida... se ainda não esteve por lá. A conversa com a Graziela está muito boa. Ela conta as vantagens do sistema de saúde de Sua Majestade e como as crianças são estimuladas à independência. Vou parar por aqui, leia tudinho a seguir:


Blog -Há quanto tempo você mora fora do Brasil? Seu filho nasceu fora?

Graziela - Eu sai do Brasil no começo de 2004 e passei uma temporada na Espanha, de lá vim direto para Londres, final de 2004. No inicio de 2007, depois de quase um ano de espera, conseguimos nosso tao sonhado positivo, eis que outubro de 2007 nasceu o Nicolas, aqui mesmo em Londres, numa parto normal hospitalar, nunca antes imaginado por mim.


Blog -Como seu filho vivencia sua dupla identidade cultural? Caso vc esteja fora há pouco tempo, como ele se adaptou a nova cultura?


Graziela -Acredito que ele vivencia as duas culturas naturalmente. Não temos o costume de ficar comparando ou (pior ainda) relembrando somente as coisas boas do Brasil.

Comentamos sobre nossa infância, nossos momentos em familia, vivencias da escola; porem sempre com naturalidade e sem comparacao. O Brasil e' nosso pais ainda e um dia voltaremos, por enquanto estamos aqui, aprendendo muito e aproveitando as oportunidades que buscamos e as que encontramos.Como ele nasceu aqui, talvez seja um pouco mais facil não correr o risco de ficar comparando, mas nem por isso negamos nossas raizes. Meu filho, apesar de ter só 3 anos, fala português fluente, lemos historias, ouvimos musicas, assistimos filmes em português também. E desde de quando ele comecou a frequentar a escola, ele esta aprendendo inglês naturalmente tambem, ja que na escola, ele só ouve e fala em inglês. 

Blog - Como é o lazer das famílias em Londres? Se você já postou sobre isso, pode mandar os links?


Graziela - Nos aproveitamos muitos os parques, museus e teatros que ha por aqui. Pode parecer estranho, mas e' so' aparecer um solzinho e os parques parecem praia: lotam, as pessoas vão com roupas de banho (biquini, shorts, regatas), fazem picnics. Todos aproveitam. Por termos quase 6 meses de frio, sendo 3 de frio intenso, quando o sol aparece, todos aproveitam, inclusive as familias; apesar de que vamos para a rua e para os parques mesmo com frio. Agasalhamos bem as crianças, nos agasalhamos e vamos embora, senao passarem muito tempo dentro de casa e isso nao e' saudavel para ninguem.


Vejo muitas familias em restaurantes tambem, visitamos muito as biblioteca publicas e nos reunimos com os amigos, acredito que como todo lugar no mundo.

Blog - Existem babás?As mães se relacionam, criam comunidades? Pode contar como funciona a rotina das mães onde você mora. Existe um bom sistema de creches ou as mães ficam em casa? 


Graziela -Babás e creches/ escolas particulares existem, mas sao caras. As babas sao mais acessiveis, porem vejo que muitas maes optam por ficar com os filhos nos primeiros anos de vida, contando inclusive com o suporte do governo (nao e' muito, porem existe). Eu mesma nao voltei a trabalhar depois que meu filho nasceu, porque financeiramente nao valia a pena.  Mães que decidem voltar a trabalhar e optam por deixar os filhos em escolas particulares ou com childminders (que sao como babas, porem elas tem alguma especializacao na area educacional, mais o curso de primeiros socorros, alem de serem registradas em um órgão do governo, que verificam se elas tem condicoes de cuidar das criancas e avaliam o ambiente onde isso acontece, que em geral e' na propria casa da pessoa); algumas childminder tem filhos e isso facilita muito para elas, poder estar com os filhos e cuidar de outras crianças. Independente de quem cuidara da crianca (a escola ou a childminder), se os pais estiverem trabalhando o governo lhes concede uma ajuda financeira, para custear os gastos com o cuidado com a criança.


O que mais tem aqui sao atividade para as criancas ate 5 anos - a partir dos 5 anos o ensino e' "obrigatorio" e as criancas passam a ficar na escola por tempo integral (leia-se das   9h as 15h30). Contacao de historia, atividades de arte, grupos de apoio a amamentacao, encontros para as criancas brincarem; e' uma grande oportunidade de conhecer outras maes, muitas da mesma nacionalidade que voce e outras de tantas diferentes. Lembro de uma vez fazer uma tabelinha com as atividades que tinhamos durante a semana, se eu quisesse teríamos o que fazer todos os dias, só precisava adequar aos horarios do meu filho (hora de comer, dormir) e os meus (porque a casa, o supermercado, a comida tambem dependem de mim).
Quais as principais diferenças culturais e econômicas e educacionais você encontrou aí em relação ao Brasil no que diz respeito a criação dos filhos, relacione prós e contras , por favor.  

Graziela -Posso estar sendo um pouco romantica demais, mas acho que a maior diferença que eu senti aqui, começa do começo do começo. Na forma de nascer. Ai você já nota como as coisas sao vistas, encaradas e vividas. Nao temos a opcao de escolher um parto normal ou uma cesaria, todas as maes que eu conheco que tiveram cesaria, elas só aconteceram porque o parto normal nao evoluiu, nao tem essa de escolher e marcar a data. Para mim, esse ponto ja e' um marco.

Trabalhei em uma escola de educacao infantil por 2 anos, no comeco estranhei muito, mas depois de alguns meses, comecei a entender o porque de algumas coisas, percebi o quanto eles estimulam a crianca a ser independente, o quanto as professoras nao sao tao maternas, mas nem por isso menos afetuosas, do que nos brasileiros. Vi, convivo e vejo crianças com 3 anos que se alimentam, se vestem sozinhas... e isso tem sido bom para elas. Não e' nada forcado, do tipo: tem que fazer e pronto; há assistencia, mas tambem ha mais desprendimento.

Uma outra coisa e' fato, passamos muito mais tempo nos parques e arrisco a dizer em família do que passeando em shoppings (por exemplo). Vejo muitos pais se divertindo com  os filhos e nao somente as maes, quase nao vejo familias com babas, e quando a baba esta presente ela e' como um membro da familia, sem uniforme ou um tratamento diferente.
Fico encantada de ver crianças de 7/8/10 anos lendo jornal de manha no ônibus,  no caminho para escola. Muitas vezes sem ninguem pedir ou falar, eles simplesmente tem a iniciativa.

Na area dos parques, onde tem brinquedos, tem placas sinalizando que eles sao para crianças ate 14 anos, ou seja, esse direito e' assegurado para as criancas maiores também.

Economicamente falando e' tao dificil, porque podemos encontrar diferentes realidades. Mas no meu caso, se eu estivesse no Brasil hoje, tenho certeza que (baseada na vida que eu vivia), eu nao teria conseguido ficar em casa cuidando do meu filho ate ele completar os 3 anos.

    O que mais pesa para nos, e' a saudade da família e dos amigos. Nao proporcionar ao nosso filho o convívio com os avos, tios, primos... nossa isso nos parte o coracao, tivemos que optar e foi uma escolha bem difícil.



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