terça-feira, 27 de setembro de 2011

Mãe Carrasca



Há umas semanas, numa festa infantil - esse território em que passamos boa parte da infância dos nossos filhos - assisti a uma cena muito estranha. Uma mãe, com um menino que não devia ter mais de um ano de idade, chegou à festa de cara amarrada. O menino entrou logo chorando e a mãe atrás o chamava a cada 10 segundos e o ameaçava de ir embora da festinha se continuasse o chororô.

Como eu sou lerda, demoro a compreender tudo o que se passa a minha volta e ainda tenho um menino ativo de 4 anos a me requisitar nas festinhas, ignorei e comi um salgadinho. A festa , muito boa por sinal, foi seguindo , meu filho comendo tudo o que podia, brincando com tudo o que conseguia e feliz da vida. Lá pelas tantas, o tal bebezinho passa de carrinho pela minha mesa ,  empurrando o carrinho com as perninhas e chorando. Olhei para a frente e vi a mãe de costas caminhando a sua frente. Não dava para ouvir o chorinho por causa da música alta. Avisei e tomei uma encarada de fazer medo em pit bull. "Tá chorando, é? Posso saber o motivo?! " rosnou a mãe do ano.

Eu não sou zen budista, apesar de simpatizar com a doutrina, e mais frequentemente do que gostaria, também dou os meus pitis. A diferença é que eu não piso na criança. Chamo atenção, sou ignorada, me descabelo, coloco de castigo. Mas fazer cara feia pra um bebê que é meu  e está me estendendo os bracinhos chorando,  muito provavelmente por carência?

Lembrei disso no domingo quando assistia a um filme na tv, O amor pode dar certo , em que uma das personagens, Phoenix, uma mulher com câncer nos ovários em estágio terminal - em uma das cenas encontra na rua com uma mãe abusando - sim, o termo para isso é abusar - com um dos filhos, humilhando-o porque está chorando. A reação de Phoenix, vivida por Amanda Peet é pegar o carrinho de bebê vazio da mulher e agredi-la com ele enquanto grita perguntando por que pessoas assim podem ter filhos. Bem que dá vontade mesmo de fazer coisa parecida, né?

A vida é complicada, tem dias que o calo dói, tem dias em que a cabeça dói, dias em que o bebê chora demais e a gente descobre a parte da dor de que trata aquela música da dor e da delícia. Mas será que os filhos tem alguma coisa com isso? Quem foi que teve a brilhante ideia de colocar o bebê nesse mundo amargo e doloroso mesmo? Será que mamãe sabe que bebê choroso tem direito a ser tratado com carinho e atenção? Vou te contar. Por que não comprou um aquário?



Aproveito para deixar a dica do filme. É triste que só, mas é bonito.

Um comentário:

  1. Eu tenho uma amiga que faz isso com a filha dela. Já fiquei tão brava com ela, envergonhada por ela, chateada que hj não a vejo mais

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