quinta-feira, 11 de agosto de 2011

#EstudarValeaPena – Hoje é dia do estudante

studying

Era uma vez um menino que gostava das mesmas coisas que todos os outros meninos costumam gostar. Soltar pipa, subir em árvore, jogar bola , andar de pé no chão. Era filho de uma família simples do interior de Minas Gerais. O pai era pedreiro, e tão conhecido na cidade que chegou até a ser delegado em uma época distante, quando ainda não havia concurso para o cargo. A mãe,  uma dona de casa que cuidava de uma hortinha da família e que era também parteira. A vida virou de cabeça pra baixo quando o pai começou a beber e perdeu quase tudo, inclusive dois filhos para a fome. Depois dos pedaços difíceis, mudaram todos de cidade e de estado, tentando também mudar de vida.  Aos 9 anos o menino da história precisou ir trabalhar. Como era mais uma boca para sustentar, acabaram lhe arrumando um trabalho onde podia comer e dormir. Iam lá só buscar o dinheiro no fim do mês. Triste, né? Olhe só que engraçado, foi aí que a sorte mudou.

É que o tal trabalho , que dava casa e comida era uma escola com internato, coisa bem comum naquele tempo. Como faxineiro, trabalhou e estudou num internato por  anos junto com outros meninos. Era possível estudar ali mesmo trabalhando. Nem todo mundo gostava dos livros e pra falar a verdade, o único que vingou nos estudos foi o menino da história que , crescido , conseguiu vaga de inspetor. Terminando o ensino médio, que no seu caso era um curso técnico de contabilidade, chegou a chefe de disciplina e como gostava muito de inglês, das aulas e das sessões de cinema, resolveu fazer a prova para obter o registro de professor – a história é antiga, lembra? – , naquele tempo as coisas eram assim. Uma vez professor de inglês, encasquetou que podia um cadinho mais e cursou direito em uma universidade federal. Nesse meio tempo, fazia poesia, lia filosofia e a biografia dos grandes homens. Quando casou e veio o primeiro filho, que na verdade era uma filha, achou que queria sonhar mais e empreendeu um negócio. O negócio deu certo, virou empresário de sucesso em pouco tempo. Por um desses acasos do destino, sofreu um acidente de carro e morreu antes de completar 40 anos. Mas, é claro,  isso é só um detalhe. A parte que realmente conta da história não é o antes nem o depois. A parte que conta é o meio.

Se meu pai não tivesse ido trabalhar naquela escola, dificilmente seria o  homem que foi. Se a vida fosse uma corrida em revesamento, eu poderia dizer que meu pai correu todo o percuso para mim e me entregou o bastão na linha de chegada. Por isso, posso dizer com segurança, que educação não só vale a pena como modifica trajetórias de vida. Sonho viver num país em que a educação liberte a todos,  que não seja preciso contar com a sorte para se educar . Estudar vale a pena, e não estou falando isso da boca p’ra fora.

* Este texto é parte da blogagem coletiva #estudarvaleapena , promovida pelo Instituto Unibanco  para saber mais clique aqui . Aproveito para fazer também minha homenagem ao pai, alguém que eu gostaria muito de abraçar no próximo domingo.

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