sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mães pelo Mundo – EUA

liaeluisa

O mães pelo mundo de hoje vai até o EUA  conversar com a Lia que edita o excelente blog Quero morar em uma livraria , mãe da Luisa #aos7 . Lia conta como foi fácil a adaptação de Luisa, como os pais ianques participam ativamente da vida escolar e como os americanos são incentivados a ler desde pequenos. Muito obrigada pela conversa, Lia.

Blog -Onde você mora nos EUA? Qual o tamanho da cidade e sua principal atividade econômica?

Lia -Moro em Portage, Michigan, que possui 46,292 habitantes. E praticamente colada a cidade vizinha, Kalamazoo e a populaçao das duas é  de 326,589  habitantes. Acredito que a principal atividade econômica seja industrial, ja que é  sede de indústrias como Pfizer (farmacêutica), Eaton (peças para indústria aeronáutica e automotiva) e Mann-Hummel (filtros).


Blog - Há quanto tempo você mora fora do Brasil? A Luisa nasceu fora?

Lia - Vai completar no final de agosto, um ano. Minha filha, Luisa,  não nasceu lá,  estava com 7 anos quando mudamos.


Blog - Como sua filha vivencia sua dupla identidade cultural? Caso vc esteja fora há pouco tempo, como ela se adaptou a nova cultura com facilidade?

Lia - Não imaginei que seria tão facil...sempre ouvi dizer que criança se adapta muito bem, mas quando mudei, morria de medo da adaptação. O periodo mais difícil foi a primeira semana; tive que frequentar a escola com ela, após essa semana, tudo correu muito bem. Com dois meses frequentando a escola, estava praticamente fluente no inglês, pois na sua escola ninguém fala português, a professora 'arranhava" um pouco de espanhol. Acho que o que ajudou tambem foi a televisão, quando chegamos ela assistia bastante desenhos em inglês; foi bom para familiarizá-la com a língua.


Blog - Como é o lazer das famílias na América do Norte?

Lia - Como estamos a pouco tempo morando nos EUA, acabamos pegando o maior periodo de frio; quando começou o verão viemos passar as ferias no Brasil. O legal é  que mesmo no inverno, ninguém deixa de fazer atividades ao ar livre e isso inclui as crianças. Tem muito parque, bibliotecas, museus que possuem atividades praticamente o ano todo. Como eu gosto muito de ler, acabei passando a paixão pelos livros para minha filha e o que mais frequentamos la é  a biblioteca municipal. É claro que as crianças gostam de shopping, como aqui no Brasil, mas como moramos em uma cidade menor e com muita natureza, creio que esse tipo de lazer é  meio deixado de lado nas epocas de calor. Voltaremos no começo de agosto para lá e ainda vamos aproveitar um mês das ferias de verão, dai poderei contar melhor como funciona essas atividades...

Blog - Pode contar como funciona a rotina das mães onde você mora. Existe um bom sistema de creches ou as mães ficam em casa?

Lia - Eu ainda não conheço muitas famílias americanas, conheço mais brasileiras casadas com americanos, posso falar um pouco do que observei até  agora...

Minha filha estuda em escola publica, que começa a aceitar crianças apenas a partir dos 5 anos. Nessa idade, é  apenas um periodo por dia. No first grade (acho que é  primeiro ano aqui, com 6 anos), o periodo é  de manhã até  as 15:30 h. Se precisar colocar antes dos 5 anos ou  se a criança precisar ficar mais tempo, é  tudo pago. Sei que há creches na maioria das igrejas, mas tambem é  pago. Existe um esquema da creche pegar a criança na escola, depois do horario regular, até  os pais puderem ir buscá-la, as 18 horas, por exemplo. Acredito que uma boa parte das mães trabalhe fora e os pais colaboram muito neste aspecto, é  bem revezado pelo que pude observar.


Quais as principais diferenças culturais e econômicas e educacionais você encontrou aí em relação ao Brasil no que diz respeito a criação dos filhos, relacione prós e contras , por favor.

Vou começar falando pelo incentivo a leitura, já que foi o que mais me chamou a atenção na escola. A leitura é extremamente valorizada e incentivada; nas classes existem prateleiras de livros por toda a parte e sempre que as crianças terminam uma tarefa, podem escolher um livro e le-lo. Há um periodo apos o almoço chamado D.E.A.R. (Drop Everything and Read), próprio para leitura. Tambem tem uma competição, iniciada em setembro ate maio, mais ou menos, chamada Accelerated Reader. Os alunos leem livros apropriados para sua idade e realizam testes (chamados A.R. tests) em computadores na biblioteca. Os livros podem ser tanto da escola como da biblioteca municipal. Cada livro tem uma pontuação e conforme vão acertando vão somando pontos. No final, são  premiados com medalhas de ouro, prata e bronze e é a coisa mais linda ver a felicidade deles recebendo a tão sonhada medalha. Não acho que a leitura seja incentivada dessa maneira no Brasil e acho muito bonito quando vejo crianças de todas as idades carregando livros para todos os lugares  e aproveitando cada momento de folga para ler.

Os pais participam bem mais também da vida escolar, muitos são voluntários e ajudam no dia-a-dia da escola, seja dentro das classes, nos passeios ou festas. Alias, a grande parte das festas são os pais e voluntários que realizam. Outro aspecto a ser destacado é o voluntariado. Todo mundo faz algum tipo de trabalho voluntário; inicia na adolescência, com os alunos da High School auxiliando nas escolas e bibiotecas e vai até a terceira idade, que tambem auxilia na bibioteca e outros lugares. É muito bonito isso, acabei me tornando voluntária na biblioteca municipal e vou incentivar minha filha a fazer esse trabalho também.

Bom, acho que a maior diferença econômica foi não precisar colocar minha filha em uma escola particular, visto que as escolas públicas  são excelentes. Creio que as particulares também são boas, mas não há necessidade de gastar com escola conhecendo o nivel do ensino público. Na cidade ao lado da minha, existe um programa que se chama Kalamazoo Promise, se as crianças estudarem nesta cidade desde o kindergarten até a High School, a prefeitura (dinheiro de doaçoes anônimas) paga  universidade toda, que é carissimo nos EUA.

O que encontrei de contra, até agora, foi a questão da alimentação na escola. É amplamente conhecido o mau hábito alimentar dos americanos, mas imaginei que nas escolas seria um pouco melhor. Há um cardápio, assinado por nutricionista, mas as refeiçoes são os velhos conhecidos: hot dog, pizza, nuggets, hamburgers,etc...Minha filha não aceita essa alimentação e tenho que mandar uma marmita com comidinha brasileira todo dia...rs..Também não dão muita importancia para higiene bucal, mesmo passando o dia todo na escola não há um horário reservado para escovação (!!).

 

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