sexta-feira, 8 de abril de 2011

Violência – E agora, o que eu digo pro meu filho?

 

maternidadereal[1]

 

Em casa, normalmente não assisto tv na parte da manhã. Eu prefiro rádio. Sou antiga, sabe? Vou para a cozinha preparar o café ás 7 da manhã e ligo o rádio para saber a quantas anda o Rio de Janeiro e desligo por volta das 8, quando sentamos em família para tomar o café. A notícia do massacre na escola em Realengo chegou pelo telefone, minha mãe sempre me avisa dessas coisas, querendo dizer que o Rio não é um bom lugar para criar os filhos, só às 10, quando o pequeno tinha ido para a natação. Ela tem lá sua razão. Mas, eu também tenho a minha.

Meu bebê filho completa hoje 3 anos e 7 meses. Ele ainda tem uma visão infantil, maniqueísta da vida. Existem os bonzinhos e os malvados. Até ontem ele vivia numa metrópole cheia de problemas mas, que se imaginava segura de episódios como aquele , longe do ódio gratuito. Agora, existe a possibilidade da moda pegar, já que pessoas com personalidade para atos extremos costumam ganhar confiança quando assistem notícias de atos violentos. Agora, preciso me preparar com mais afinco para o dia em que meu filho estará preparado para saber a verdade sobre mocinhos e bandidos.

Ontem no twitter, li notícias de mães que defendem que seus filhos de 8 e até 6 anos devam ter conhecimento total da tragédia e até estavam assistindo às notícias em tempo real com eles. Eu seria mais moderada. Crianças precisam ser crianças e ter a infância preservada até a maturidade para assimilar tanta maldade, que, cá entre nós, até os adultos tem dificuldade em digerir. É duro , mas é a vida e precisamos, com muito tato saber o momento certo para abordar o tema. Acredito firmemente que há tempo para tudo.  Ainda que se diga que não adianta tapar o sol com a peneira, acho que não se deve expor a criança ao noticiário.

Diante de tudo isso, lembro que quanto estava grávida , imaginava que a oportunidade da maternidade me daria uma página em branco para escrever e com meu filho eu não cometeria os erros da minha mãe, mas somente os meus. Como eu não fazia a menor ideia de quais poderiam ser os meus erros, imaginei que seria a mãe perfeita. Bobinha. Cá estou eu , errando e acertando todos os dias, erros e acertos inimagináveis para a gestante que eu fui.

Eu não sou a mãe perfeita, essa mãe não existe. Ou talvez até exista mas, quem poderá rotulá-la será o próprio filho. Então até que o meu bebê-filho se torne filho adulto e sabedor de si, não terei condições de saber a resposta. E mesmo que eu saiba ela poderá estar maculada pelo amor do filho que sempre acha a mãe legal. Afinal, é a única que conhece. Tudo o que eu quero é poder contribuir para que meu ex-bebê cresca com os elementos necessários para encontrar seu lugar no mundo, sua felicidade, sua paz interior. Se eu não atrapalhar acho que já está de bom tamanho. Preocupada com seu desenvolvimento, tropeçando nas minhas ideias que podem mudar a qualquer momento, assim eu sou a melhor mãe que posso ser. Toda mãe que leva o serviço a sério sabe como é difícil.

* Este texto é parte da blogagem coletiva promovida pela Carol Passuelo do blog Vinhos, viagens, uma vida comum e dois bebês! e foi, infelizmente, contaminado pelos acontecimentos de ontem.  

5 comentários:

  1. Eu não deixo meu filho assistir noticiário, tento filtrar o máximo a ruindade do mundo, não que eu queira transformá-lo numa criança longe da realidade, por que isso seria muito cruel com ele, pois ao se deparar com a realidade, entraria com certeza em choque...

    Mas, desde os 4 anos, quando tive que transferi-lo para uma escola pública, que sento e explico coisas, que uma mãe nunca deveria explicar pro seu filho. Além do básico sobre estranhos e carinhos inapropriados, já ensinei como proceder em caso de tiroteio na rua e, ontem, falei sobre o caso de acontecer na escola.
    Sem entrar em detalhes, sem aterrorizar, mas bem didaticamente, preparei meu filho para um mundo que ele não conhece... Triste, mas necessário.
    Não sei se fiz certo ou errado, é como você falou, a gente vai tentando acertar, errando e corrigindo os erros diariamente.

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  2. Vanessa,

    A tragédia de ontem ainda está entalada aqui na garganta...
    Ainda não caiu a ficha não!
    Crianças, são como vc mesmo disse... crianças e devem ser sim preservadas até qdo podem de todo esse horror...
    Mas se souberem por outros, devem esclarecidos de forma que não os prejudique.

    Adorei seu post, Vanessa!

    Bom fim de semana!!!

    bjo

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  3. Acho que depende do ponto de vista da mãe que permite ao filho assistir, ela vai incutir medo nele, ou deixá-lo alerta para o fato de que isso pode acontecer em qualquer momento, qualquer lugar, ou ainda, dar a esperança de um mundo melhor?
    Eu confesso que agradeci a Deus por meu filhote ter apenas dois anos e não estar na escola. Sinceramente, hoje, eu não saberia lidar com essa situação.
    Mas a gente cresce, né? E aprende com a vida...

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  4. Buda falava do "Caminho do Meio", ou seja, fugir dos extremos. Acredito que nao podemos criar nossos filhos em bolhas... mas escancarar (fora de hora) essa podridao que o Mundo esta' e' "ROUBAR A INFANCIA" deles, como costumo dizer...
    Procuremos o caminho do meio tambem para eles...
    Bjs mil!

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  5. Buda falava do "Caminho do Meio", ou seja, fugir dos extremos. Acredito que nao podemos criar nossos filhos em bolhas... mas escancarar (fora de hora) essa podridao que o Mundo esta' e' "ROUBAR A INFANCIA" deles, como costumo dizer...
    Procuremos o caminho do meio tambem para eles...
    Bjs mil!

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