segunda-feira, 14 de março de 2011

Farinha pouca...



Meu filho está em uma boa creche-escola. Quando ele completou 18 meses matriculei um bebê para ficar ali diariamente aos cuidados de outras pessoas por quatro horas diárias não sem antes relutar sobre o que seria melhor para ele. O tempo na escola mostrou que meu bebê precisava daquilo para ser impulsionado a crescer. Filho único de mãe relutante que deixou para os quase 45 do segundo tempo, luzes apagando , arquibancada levantando , para resolver deixá-lo nascer, meu bebê estava ficando um pouco preguiçoso, comportamento típico dos filhos únicos.

Na turminha ele, agora com 3 anos e meio,  tem a professora pedagoga e mais duas ajudantes. A abordagem é construtivista, o que me pegou de início, e a preocupação com o crescimento individual é grande. Logo nos primeiros meses recebi uma nota informando que uma das ajudantes não trabalhava mais na escola, sendo substituída por outra funcionária da casa. No dia seguinte , a surpresa: a ajudante substituta também pediu as contas. Fiquei intrigada e o suspense durou somente até abrir a minha caixa de email. Funcionárias da escola estavam sendo contratadas por pais de alunos para tomar conta de seus filhos em casa. No email , o colégio reclama desta prática que vem se tornando hábito, após contratar e treinar funcionárias a creche as perde para pais que oferecem carga de trabalho certamente menor e salário possivelmente maior. E agora, passados dois anos, aconteceu de novo.

Eu, confesso , nunca havia pensado nesta possibilidade. Meu filho não tem babá. Se fossem 2 ou 3 filhos eu poderia mudar de opinião; enquanto tenho só um, posso me dar ao luxo de prescindir de babá.

Fiquei pensando até que ponto é ético este tipo de coisa. É claro que, se existe uma das partes isenta de culpa , é o funcionário. Trabalhamos onde nos dão melhores condições e isso é direito universal, caso contrário vira escravidão esta chamada relação laboral. A escola por sua vez , ciente do que acontece nos seus corredores precisa esmerar-se para cativar o funcionário. Sabemos que não se trata só de dinheiro. Todo mundo almeja um bom ambiente de trabalho e condições de trabalho sem sobrecarga. O meu foco da questão são os pais.

Não sei de quem partiu a atitude mas, me peguei a imaginar se um pai ou mãe que tenta convencer um funcionário da escola do filho que atende um número x de crianças no meio do ano letivo a deixar o emprego não estaria enviando a mensagem de que não está nem aí para a coletividade.

Este estado de coisas espanta quem apenas desejava ver o filho desenvolver-se em um ambiente sadio. Descobrir que a ingenuidade ainda me assalta é assustador. Ética parece ser uma palavra de um idioma morto junto com uma civilização perdida. Coletividade também. O lema agora é "Farinha pouca, meu pirão primeiro"


17 comentários:

  1. Nossa, que horrível!
    Mas é mesmo, ética, minha cara, infelizmente não existe, e coletividade só Deus sabe onde foi parar.
    Como eu trabalho no serviço público sei bem o que é isto.

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  2. Pensei exatamente como vc!
    Os filhos dos outros não importa...
    Que fiquei chocada uma vez com a declaração de uma mãe na tv.
    Alguns meses atras caiu o telhado de uma creche em um bairro daqui. Foi horrivel pois as crianças estavam lá. 10 morreram. Uma mãe de uma menina que se salvou falou na entrevista: "Quando vi que caiu tudo corri, passei por cima de todo mundo (das crianças)até achar minha filha e levar para casa."
    Aquilo me chocou tanto que não consegui almoçar e até hoje não digeri isso direito...

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  3. Nossa, amiga
    Que coisa... fiquei chocada.

    um beijo

    Iram

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  4. Tb acho uma falta de ética tremenda essa, mas foi como vc disse... Melhor salário e pouco tempo de serviço, quem não quer?
    Eu, que sou professora Municipal, sei como é essa carga horária... Mto trabalho, para pouco rendimento!

    bjo

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  5. Querida,
    Minha filha foi bem cedo para a creche e lá adquiriu independência desde pequetita.
    Muitos anos trabalhando em Educação esse tipo de atitude não me surpreende.
    Pais que têm esses comportamentos, que passam por cima da ética, dos valores coletivos estão desenvolvendo crianças com esses mesmos valores.
    Crescem e não conseguem conviver com as frustrações da vida.
    A cada dia se constata que a ética vai descendo ladeira abaixo.
    Lamentável!
    Meu abraço.

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  6. O lema sempre foi esse, nunca vivi em um mundo etico e sou tida por tonta, pois trabalho pensando construir um mundo onde haja etica, mas isso é coisa que pode consumir minha vida e mais cem iguais am inha!!! Quem sabe um dia a gente chega lá!

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  7. Olha, infelizmente cada dia que passa torna-se mais difícil achar um ser humano que pense no bem estar dos demais e, que não olhe somente pro próprio umbigo...tá difícil...
    O egoísmo reina em muitos aspectos...só Deus pra aajudar a gente...
    AAmei a visita no meu blog!! Beijos meu e da Helô
    www.desabafoepoesia.blogspot.com

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  8. Não sei amiga, você tem razão em seu ponto de vista, mas se a creche não oferece benefícios, o funcionário precisa encontrar algo melhor não é??

    bj

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  9. Eu já ouvi uma série de histórias parecidas com essa. É um absurdo mesmo! Cadê o coletivo, meu Deus??? O umbigo de certas pessoas tem se tornado do tamanho do mundo, é um absurdo....
    Bjos,
    Camila
    www.mamaetaocupada.blogspot.com

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  10. Muito bacana o seu post Vanessa. Este dilema da professora da educação infantil é velho viu? Ainda é um misto de falta de reconhecimento por uma especialização, onde na verdade, crianças pequenas precisam acima de tudo de cuidados básicos. Claro que vale mais a pena ser contratada para cuidar de uma criança apenas! Coletividade??? O que significa coletividade? A culpa é da escola, das professoras? A falta de ética seria delas? Eu tenho refletido muito sobre isso. A mãe que trabalha fora deseja que o seu filho seja bem cuidado e um cuidado integral, pois ela não tem como cumprir este papel durante as horas de trabalho...Porque este dilema, que vem lá do início do século?Veio o construtivismo e junto com ele todo o ideal de que a criança precisa de socializar para se desenvolver corretamente. As escolas inclusive "vendem" a Marca Piaget(que deve está se revirando no túmulo agora, coitado) mas na verdade, a dinâmica é a mesma: a criança precisa é ser cuidada, assim mesmo no termo da palavra: trocar fraldas, dar banho, comer, dormir, etc,etc,etc. O que mais me assusta é isso virar uma "tendência" e ai vermos ir por ralo abaixo toda a construção dos direitos da educação infantil no Brasil. Ontem mesmo estava lendo Vital Didonet, onde ele faz a seguinte reflexão: nos países nórdicos, desenvolvidos, o governo financia o cuidado do bebê, deixando a mãe em casa, e nós aqui lutamos pela independência ou morte da pré-escola. Quem está no caminho errado de fato? A falta de ética ao meu ver é social.Um beijo e meus parabéns por esta discussão!

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  11. Oi Vanessa,

    Te achei lá no Ombudsmae e vim cá prá ver. Olha, já fui professora e acho que é total falta de profissionalismo e responsabilidade abandonar turma no meio do ano, ainda mais na EI. As crianças (assim como qualquer aprendiz de qualquer idade)precisam estabelecer laços de afetividade, respeito e confiança com quem os lidera antes de mais nada. Acho que não dá prá isentar os funcionários de responsabilidade não, se ser babá é mais interessante, então siga esse rumo, mas se escolheu a escola cumpra, pelo menos, a obrigação de estar com as crianças durante o ano letivo da melhor maneira possível.
    E só prá terminar, eu (que não tenho babá) jamais contraria uma que largasse o emprego com tanta rapidez, pq com certeza ela faria isso comigo e meu filho também.

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  12. Vanessa.
    Fiquei de boca aberta com essa historia. Coisa totalmente fora da realidade aqui em Londres, pois ninguem faz isso, e babahs nao sao nunca a primeira escolhas das maes. As escolinhas ate indicam as proprias funcionarias como babysitter nos fins de semana ou a noite se os pais perguntam.
    Total falta de etica concordo com vc.
    bj
    Carol P
    http://motherlovedatabase.blogspot.com

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  13. Vanessa.
    Fiquei de boca aberta com essa historia. Coisa totalmente fora da realidade aqui em Londres, pois ninguem faz isso, e babahs nao sao nunca a primeira escolhas das maes. As escolinhas ate indicam as proprias funcionarias como babysitter nos fins de semana ou a noite se os pais perguntam.
    Total falta de etica concordo com vc.
    bj
    Carol P
    http://motherlovedatabase.blogspot.com

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  14. Muito bacana o seu post Vanessa. Este dilema da professora da educação infantil é velho viu? Ainda é um misto de falta de reconhecimento por uma especialização, onde na verdade, crianças pequenas precisam acima de tudo de cuidados básicos. Claro que vale mais a pena ser contratada para cuidar de uma criança apenas! Coletividade??? O que significa coletividade? A culpa é da escola, das professoras? A falta de ética seria delas? Eu tenho refletido muito sobre isso. A mãe que trabalha fora deseja que o seu filho seja bem cuidado e um cuidado integral, pois ela não tem como cumprir este papel durante as horas de trabalho...Porque este dilema, que vem lá do início do século?Veio o construtivismo e junto com ele todo o ideal de que a criança precisa de socializar para se desenvolver corretamente. As escolas inclusive "vendem" a Marca Piaget(que deve está se revirando no túmulo agora, coitado) mas na verdade, a dinâmica é a mesma: a criança precisa é ser cuidada, assim mesmo no termo da palavra: trocar fraldas, dar banho, comer, dormir, etc,etc,etc. O que mais me assusta é isso virar uma "tendência" e ai vermos ir por ralo abaixo toda a construção dos direitos da educação infantil no Brasil. Ontem mesmo estava lendo Vital Didonet, onde ele faz a seguinte reflexão: nos países nórdicos, desenvolvidos, o governo financia o cuidado do bebê, deixando a mãe em casa, e nós aqui lutamos pela independência ou morte da pré-escola. Quem está no caminho errado de fato? A falta de ética ao meu ver é social.Um beijo e meus parabéns por esta discussão!

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  15. Nossa, amiga
    Que coisa... fiquei chocada.

    um beijo

    Iram

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  16. Nossa, que horrível!
    Mas é mesmo, ética, minha cara, infelizmente não existe, e coletividade só Deus sabe onde foi parar.
    Como eu trabalho no serviço público sei bem o que é isto.

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