sexta-feira, 18 de março de 2011

Coleira para crianças?




A reportagem transcrita abaixo , publicada na página do Jornal A Folha de São Paulo ontem, gerou muitos comentários num grupo de discussão sobre filhos no Facebook. Trago a discussão para o blog , não para gerar polêmica nem para julgar os pais que lançam mão deste artifício para garantir que os filhos estejam por perto. Meu filho dificilmente reclama de andar de mãos dadas conosco e, na verdade, ele é o primeiro a estender a mão na hora de sair para a rua. Além disso nós evitamos ao máximo locais lotados e nunca desgrudamos os olhos dele. E você , como lida com isso?

Parece coleira de cachorro, mas é uma mochilinha com alça, que prende a criança à mãe. A cena, que começa a ficar mais comum em capitais do país, gera olhares tortos e também curiosidade.
A mochila-coleira é usada há décadas nos EUA, na Europa e no Japão. Aqui, ainda é novidade, embora seja vendida em grandes lojas para bebês há cerca de dois anos.
A culinarista Marisa Abeid, 32, de Sorocaba, admite que, à primeira vista, o acessório parece "estranho".
Mas conta que usou um modelo de braço (ligando o pulso da criança ao do adulto) no filho Pedro, de três anos, quando ele tinha um ano e meio. "Num piscar de olhos, ele sumia", diz a mãe, que se sentia mais segura assim. Ela pretende usar o mesmo artifício com o mais novo, João, de sete meses.
O instrumento só causa polêmica por falta de hábito, para a pediatra Maria Aurora Brandão, 63, do Hospital São Luiz. Ela "encoleirou" os filhos 40 anos atrás, em uma viagem a Portugal. "É uma questão de segurança."
A arquiteta Larissa Lieders, 32, comprou a mochila para sair sossegada com a filha Olivia, de quatro anos. "Ela corre pela rua, em supermercados e lojas. Se estou carregando sacolas, tenho que largar tudo e ir atrás."
Às vezes, segundo a mãe, Olivia fica irritada com a coleira. Na semana passada, aprendeu a se livrar dela.
A publicitária Lica Ribeiro, 30, ouviu coisas como "Parece cachorro" e "Só falta dar ossinho", ao circular com o filho Pedro, de três anos e meio, "acorrentado" a ela. "A primeira reação das pessoas é criticar. Mas criança não quer pegar na mão, quer explorar as coisas. A mochila é segurança para a gente e liberdade para eles."
De acordo com Ricardo Halpern, presidente do departamento de pediatria do comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria, o acessório só vale para lugares com aglomeração. "Não causa nenhum prejuízo à criança se usado de forma adequada."
Já a psicóloga e colunista da Folha Rosely Sayão diz que a guia é uma comodidade para pais que querem olhar outras coisas que não os filhos. "Querem ter filhos, mas agir como se não tivessem. Alguns podem perceber, depois, que passou o tempo de dar as mãos aos filhos, e não aproveitaram."
Roseli Caldas, professora de psicologia da Universidade Mackenzie, concorda. "Para sermos práticos, deixamos de lado a afetividade."
Segundo Caldas, a criança precisa mais do toque da mãe do que de fita que a prenda.
"Esse limite que depende de uma "coleira" não prepara para o desenvolvimento. A voz de comando da mãe tem que valer. Se a criança não construiu essa noção de autoridade, como será no futuro? Que fita a mãe usará na adolescência?", pergunta.


Reportagem Mariana Versolato.

*imagem : google images

9 comentários:

  1. "No trecho "Às vezes, segundo a mãe, Olivia fica irritada com a coleira. Na semana passada, aprendeu a se livrar dela." Dela refere-se à coleira. Por enquanto.

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  2. Concordo com a questão da afeitividade e do toque da mão, porém uma pessoa como eu, que tem 3 filhos, fica tentada a usar as coleirinhas... Será q tenho coragem???
    Bjos,
    Camila
    www.mamaetaocupada.blogspot.com

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  3. POis eh fiquei tentada a usar, mas meu marido teve um chilique. Entao em aglomerados coloco no carrinho. Sempre digo para a C pegar a mao e ela jah comeca a pedir. Mas concordo com o ultimo trechoeh preciso ensinar
    bj Carol P
    http://motherlovedatabase.blogspot.com

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  4. Quer dizer que eu quero ficar olhando as coisas ao inves de cuidar do filho... pois bem....meu marido trabalha e estuda à noite, fins de semana muitas vezes esta trabalhando...quem tem que ir ao supermercado sozinha com o Rafa sou eu,não tenho com quem deixá-lo e sempre quis que me acompanhasse, aí fazer compras, olhar rótulos, validades, escolher produtos e ainda olhar o filho, me diz, quantos olhos, braços e pernas devo ter??? Esta psicologa provavelmente não é mãe e se for ela acha muito mais afetivo ter uma babá que faz tudo no lugar dela....
    http://kikinomundodivertido.blogspot.com

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  5. Tentei usar quando a minha filha era pequena, mas me senti muito mal e tirei imediatamente.
    Muito interessante a materia.

    Bom fim de semana!
    Iram

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  6. Ola, meu nome eh Paula e eu moro na Australia, aqui isso eh mto comum, logo que cheguei aquifiqui meio chocada e fui contra, mas depois de um tempo vc vai se acustumando a ver e começa a parecer normal, ate pq nao eh uma coleira igual de cachorro, geralmente sao umas mochilinhas de bichinhos mto bonitinhas por sinal.
    Comecei a entender o pq as maes daqui usavam isso, aqui praticamente nenhuma mae tem menos de 4 filhos e eles sempre tem praticamente a mesma idade, a mae sai sozinha para fazr compras, banco e etc...e essa mae infelizmente nao tem 4 ou 5 maos para poder andar de maos dadas com todos eles, por isso acho q esse eh um metodo seguro para q nenhuma das crianças se percam e nada de mal os aconteçam.

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  7. Vi uma mulher com uma dessas no BH Shopping e achei o fim da picada. BEatriz sempre vai comigo aos lugares, bem verdade que às vezes eu corro 100 metros mais rápido do que o Usain Bolt para alcançá-la, mas, faz parte, né

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  8. Eu adoro essa foto. É uma criança para cada lado. Imagino elas "soltas" correndo cada uma em direções diferentes e o pobre pai sozinho. Kkkk
    Acho que é desespero de causa mesmo.
    Eu já cheguei a falar: "Vou te amarrar!" com 1 só, fico imaginando com 4! Rs
    Beijos!

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  9. Quer dizer que eu quero ficar olhando as coisas ao inves de cuidar do filho... pois bem....meu marido trabalha e estuda à noite, fins de semana muitas vezes esta trabalhando...quem tem que ir ao supermercado sozinha com o Rafa sou eu,não tenho com quem deixá-lo e sempre quis que me acompanhasse, aí fazer compras, olhar rótulos, validades, escolher produtos e ainda olhar o filho, me diz, quantos olhos, braços e pernas devo ter??? Esta psicologa provavelmente não é mãe e se for ela acha muito mais afetivo ter uma babá que faz tudo no lugar dela....
    http://kikinomundodivertido.blogspot.com

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