terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Entrevista com Roberta Fraga, autora do livro Uma história de grande porte.

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Continuando o debate sobre depressão infantil, trago hoje a entrevista com Roberta Fraga, autora do livro Uma história  de grande porte.

Blog – Roberta, fale um pouco do espaço que a escrita tem na sua vida.

Roberta - Escrever sempre foi minha paixão, aliás sou uma leitora um tanto voraz. Desde pequena eu escrevo, consigo me lembrar claramente que, aos oito anos, ainda na segunda série, escrevi a minha primeira poesia. Ela se chamava "A leve brisa passa já". Depois, enviava poesias para os jornais, eu me lembro que por ocasição da morte do Drumond de Andrade, ao ouvir a notícia no Jornal Nacional, mandei uma cartinha para o Correio Braziliense e publicaram lá uma poesia dedicada ao escritor. Até me premiaram com um livro na Livraria Presença, em Brasília, ficava no CONIC e que, infelizmente, nem existe mais. Eu devia ter uns nove anos. Uma vez uma namorada do meu tio, submeteu-me a um questionário para o seu trabalho de conclusão de curso (eu acho que era na área de Psicologia, não sei bem) e eu me lembro nitidamente que uma das perguntas era qual a profissão que eu queria seguir e eu respondi prontamente escritora. Estranho para uma criança de nove anos pensar assim. Naquela época, meu pai mandou umas cartas para editoras, mas eu só ouvi recusas até então. Depois, guardei meus sonhos na gaveta, escrevia, concorria em concursos, mas tudo amadoristicamente. Não me dediquei, comecei a acreditar que não daria certo e que eu tinha que pensar no meu futuro de maneira pragmática. Foi então que eu embaquei no Direito. Sempre gostei de ler e de escrever, sempre, mas sentia e sinto, que, mesmo, apesar do Direito, ainda restava uma lacuna em mim quanto a isso. E continuei produzinho e produzinho solitariamente meus textos. E não posso esquecer que minha mãe foi a minha grande incentivadora da leitura, quem mais me estimulou.


Em 2006, um amigo meu, cineasta, Antonio Balbino, pediu um texto meu, despretensiosamente. Até então, eu não tinha ideia, mas ele pediu minha autorização e roteirizou um conto meu de realismo fantástico que eu chamo Z e ele adaptou para o roteiro "Fragmentos". Daí, participei de uma iniciativa da Universidade de Brasília, chamada Incubadora de Arte, que realizou uma rodada de negócios Livro e Literatura, onde se reuniram vários seguimentos do setor e lá encontrei a Editora Hinterlândia que estava interessada no perfil que eu estava oferecendo naquele momento: histórias infantis.

Blog -  Como você começou a escrever para crianças?

Roberta - Não tive um começo. Comecei a construir histórias a partir da confecção dos livros de feltro. Uma coisa foi me levando à outra. Primeiro, antes de fazer os livros de tecido, crio storyboards e nessa acabo construindo histórias, ora em tecido, ora em palavras. Transito dentro do universo infantil e escuto muito a minha filha que tem apenas 2 anos. Fico observando as percepções dela. Falar com as crianças, de diversas formas é muito enriquecedor.

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Blog- No seu blog peculiarizar você ensina a confeccionar livros de feltro, conte sua experiencia com esses livros sem palavras.

Roberta -"Sem" palavras? Aí tinha que mostrar pela webcam!!! rs

"Com" palavras, fiz o primeiro livro para superar uma perda e uma gravidez tormentosa e incerta, comecei a criar, recriar, inventar e sonhar.

Parece que tenho sonhos possíveis... As pessoas, ou melhor, as crianças de todas as idades tem identificação imediata com o lúdico. E os livros em feltro, fazem a gente sonhar, contar histórias, criar histórias e brincar. Não posso me esquecer do comentário da Babá da minha filha, nossa Dodô, incansável, dizendo:

_ O livro é lindo. Mas não tem palavras... Como a gente lê?

_ Você conta a história que quiser. - respondi. E a partir daí, muitas histórias surgiram.

 

Blog -Roberta, a orelha do livro Uma história de grande porte conta que você é escritora desde sempre. O que fez você escolher o tema depressão infantil para lançar o primeiro livro.

Roberta -Tive experiências de pessoas próximas que me fizeram investigar o assunto e depois fui notando que no trabalho tenho colegas que passam por isso, nos meus cursos, meus vizinhos e fui notando, também, matérias  e entrevistas a respeito do tema. Então tentei criar uma alegoria que funcionasse como uma metáfora para as crianças. Algo que servisse a elas concretizar o sentimento. Comecei pensando na expressão "elefante branco" que é algo aparentemente discreto, mas que causa transtorno conviver com ele e fui desenvolvendo. Trabalho algumas metáforas no livro como a parte em que a criança está na sua zona de conforto por ser vista com piedade a partir de seu sofrimento, e que as suas lágrimas se trasnformam em amendoins, sugerindo que o sofrimento gera mais e mais pesar, por exemplo. Eu gostaria de registrar que não dou nome aos personagens porque eu gostaria que a ideia do texto, tivesse mais força que seus personagens e também que os pais da história são bem omissos, motivo pelo qual têm uma participação adjacente.

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Blog - Seu livro trata do tema depressão infantil com a delicadeza necessária ao público infantil, como tem sido o retorno dos pequenos leitores ?

Roberta - Obrigada por considerar delicado. Foi exatamente isso que eu tentei passar, inclusive a ilustração é feita por uma artista plástica que faz trabalhos maravilhosos em aquarela, entre outras tantas técnicas, esculturas e etc, chamada Claudia Cappelli. A escolha da aquarela era para dar leveza à ilustração em contraponto com o texto, que sugere peso.
Percebi que os pais e professores interagem mais com a história, tive algum feedback das crianças, mais pela euforia de ter recebido um livro e ter conhecido o autor dele, que da interação com o texto. Mas, juntamente, com a editora, estamos organizando eventos para adultos e crianças, para esclarecer o tema e fazer umas dinâmicas a partir dele. Há necessidade de uma concretude para a internalização do tema.

Uma vez uma pessoa muito especial me disse que este livro mudou a vida dela. Fiquei feliz, muito feliz e pensei: de fato, já valeu a pena!

Você gostou da entrevista e tem algo a dizer sobre o tema depressão infantil ( ou não)? Tem alguma   história de depressão na família ou viu algum amigo passar pelo problema. Você mesmo esteve ou está deprimida e gostaria de contar a sua história? Simplesmente deseja emitir uma opinião sobre o assunto? Escreva um post falando sobre o tema depressão, deixe o link na seção de comentários e concorra a um exemplar do livro Uma história de grande porte , da escritora Roberta Fraga. O livro trata com delicadeza a depressão infantil e é uma excelente leitura para crianças e adultos. Nos próximos dias falaremos mais sobre  o tema e apresentarei a autora melhor.

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Fotos : Rafa Zart, fotógrafo, escritor e designer em  Brasília.

2 comentários:

  1. Confesso que não conheço esse tema, li muito pouco sobre ele. Vou adorar saber mais sobre ele.

    Tá rolando um sorteio lá no Balde. Ficarei feliz se vc participar.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Confesso que não conheço esse tema, li muito pouco sobre ele. Vou adorar saber mais sobre ele.

    Tá rolando um sorteio lá no Balde. Ficarei feliz se vc participar.
    Beijos!

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