quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tristes Notícias da Serra

 

itaipava

Para quem não sabe, sou da região serrana do Rio de Janeiro. Como todo mundo sabe, é um lugar lindo, de clima maravilhoso, verde, tranquilo. Lá , as pessoas se conhecem pelo nome, e sabem a origem umas das outras. De lá, agora vocês já sabem, vem as verduras fresquinhas das saladas cariocas, além das roupas boas bonitas e baratas, da lingerie. Lá , um rei chamado Pedro, passou a caminho de Minas, parou e comprou um pedaço de terra para descansar. Lá, bem sabia o Pedro Imperador , é um lugar aprazível. Quanto mais se sobe, mais frio fica. Por isso alemães, italianos e suiços fizeram felizes suas vidas, num lugar que lembrava suas terras de forma mais amena. Sim na serra tudo costuma ser mais ameno, ou quase tudo.

Quem mora por lá está acostumado com a chuva, enchentes sempre fizeram parte da rotina dos serranos. E deslizamentos. Afinal, por lá ou se mora em cima ou em baixo do morro.Somos cabritos. Tenho memória de chuvas fores desde os meus 13 anos. Aconteceu de minha avó ir dormir lá em casa por conta das chuvas que ameaçavam a casa dela. Aconteceu de uma vez a cidade receber o exército para ajudar a contar os morteos, Aconteceu demorrer muita gente conhecida, como um aluno de minha mãe ainda criança que não sobreviveu a um deslizamento, a esposa de um professor que se apavorou e deixou o carro no meio da enchente e foi levada pela correnteza, uma amiga que perdeu toda a família , um tio que saiu de casa para comemorar aniversário com a família e quando voltou tudo estava perdido tudo, tudo mesmo, para a água. Perda total inclusive em um carro. Segundo os tios o pior nem foi o carro, que o seguro pagou, o pior não foi a casa que a água encharcou e precisou ser toda reformada. O pior são as lembranças. As fotos de família, o filme do casamento, as roupinhas de bebê dos filhos guardadas com tanto carinho, as recordações de toda uma vida. Tudo perdido. Lembro do tio contar que abriu a porta e estava tudo boiando em casa. Nem dava para acender a luz na madrugada com risco de curto. Restou ir para casa do parente aniversariante daquela noite,  dormir e imaginar como seria o dia seguinte. Com a roupa do corpo.

Esta chuva que virou uma tragédia que eu nunca vivenciei aconteceu do outro lado da cidade, bem longe da casa da família. Mas, como é triste saber que um lugar tão bonito deixou de existir assim, de uma hora para outra junto que centenas de pessoas. Vejo a mobilização de tantos em torno do auxílio aos que foram vítimas ocupação desordenada conjugada com a topografia e cúmulus nimbus. Espero que após a tragédia deixar o noticiário , coisa que deve acontecer em uma ou duas semanas, as doações não deixem de chegar a quem precisa e ainda precisará muito de ajuda , por , no mínimo 6 meses.  Se você quiser e puder ajudar doe o que te sobra . Imagine quem perdeu tudo, tudo é absolutamente necessário. Além de água e alimentos, o básico, também é importante material de higiene, de uso pessoal, fraldas, velas e fósforos, remédios, colchonetes, móveis. Para facilitar o trabalho dos voluntários identifique as doações etiquetando as embalagens. Se for doar roupas e sapatos , coloque uma etiqueta dizendo se são de homem, mulher , criança especificando a idade e informe os números dos sapatos. Se puder, doe hoje, tem gente precisando desta ajuda agora mesmo.

Confira no Site da Rádio CBN onde entregar sua doação

 

* imagens google images

2 comentários:

  1. Vanessa, eu sinto muito por toda essa tragédia. Como você sabe, minha família é do Morim, mas lá não aconteceu nada. Um primo estava morando em Itaipava e a notícia que tivemos é a de que ele perdeu tudo; felizmente, ele estava na casa dos tios e nada sofreu.

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  2. Olá querida, sinto muito por tudo isso, já estamos fazendo a nossa parte, e sei que Deus está no controle.
    Um super beijo!

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