quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Vínculo #blogagemcoletiva


blogagem_mulheremae_vinculo

Vínculo, do latim, prender-se, ligar-se.

Vínculo do corpo , da mente e da alma. Quando começou minha ligação com meu filho? Antes mesmo dele existir? Difícil, já que eu não cogitava semelhante projeto. Antes mesmo dele nascer? Bem, agora está melhorando. Assim que engravidei, nasceu alguma coisa que pode ser chamado de vínculo. Foi aí que apareceu a autofiscalização com tudo o que eu colocava na boca, com as horas mal dormidas que a gravidez sabiamente nos confere como estágio para todas as noites em claro que estão por vir, com a preparação do corpo para o momento mais maluco experimentado por um ser humano, o momento em que outro ser, autônomo, sai de dentro de seu ventre, olha bem nos olhos e …chora pela primeira e mais linda vez.

No momento do choro, o vínculo, nascido com a preocupação, o planejamento e o sonho, vira realidade consubstanciado, no meu caso concreto, em 51 cm com 3.685kg. E no momento em que a ligação física é rompida com o cordão umbilical, a ligação da alma selada por aquele primeiro olhar que parece dizer “ Então era você, todo aquele tempo? Muito bem, senhora, você me chamou, se esforçou, rezou, se cuidou, riu e chorou. Você me quis todos esses meses, todas essas luas. Cá estou, cheio de fome e sou seu para o resto da vida.” Naquele momento em que o vínculo se estreita, você também chora, mas não é fome. É aquela coisa estranha que o escritor ainda não conseguiu traduzir em palavras.

A partir de então o vínculo, ligação, elo, ou seja lá o nome que demos para a coisa, parece crescer tão rápido quando o filho; e na mesma proporção. A partir de então, a cabeça da senhora que esperou todas aquelas luas, arrumará um compartimento para guardar todas as informações a respeito daquele a quem está irremediavelmente ligada. E o processamento dos dados se dará sempre de modo instantâneo. Quando o filho começar a falar, ou melhor, utilizar de modo rudimentar sons para tentar comunicação, ela será a única que compreenderá durante muito tempo. Quando o filho sentir algum mal estar, mínimo que seja, ela será a primeira a saber o que ele quer e precisa. Quando lhe der o colo e deixá-lo pousar sobre o ombro a cabecinha, qualquer mal estar passageiro passará e até os mais graves parecerão menores. É o tal do vínculo. Ele nos segue a todos em maior ou menor grau, dependendo do esforço de um e da capacidade de compreender o esforço do outro.

E nem no dia, sim um dia o dia chega, em que o filho abrir as longas asas para voar para bem longe do ninho, o fio que os une será rompido. Ainda que não precise mais de alguém que lhe cure o joelho ralado e ensine a amarrar os sapatos. O filho sabe que do lado de cá do laço bem dado pela vida existe uma mãe que torce por ele, sempre e acima de tudo.

Este texto integra uma blogagem coletiva promovida pela Rede Mulher e Mãe

10 comentários:

  1. Oi Vanessa,
    Adorei seu texto poeticamente escrito! Impossivel ler e não se identificar.
    Lindo!
    Bj
    Wania

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  2. Adorei o Texto. Conseguiu encontrar palavras para descrever o que pra mim parecia impossivel de conceituar!
    Vc parece ter o dom da escrita. Parabéns!
    Bjos!!

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  3. Olá Vanessa!!!

    Vim agradecer a visita no meu blog e me deparei com esta poesia!!!
    Maravilhoso texto!!!

    bjs,

    Cláudia

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  4. gostei muito do seu blog
    eu to começando...me segue:
    http://vidaazulerosa.blogspot.com/

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  5. Olá! Selinho de presente para você! http://www.pediatriabrasil.com.br/2010/10/este-blog-e-contra-bullying-e-cyber.html

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  6. Oi Vanessa,
    Lindo seu texto sobre o forte vínculo entre vc e seu filho, como a maternidade mexe demais conosco não é?
    Acredito que o vinculo também nasce a partir do momento que vc sabe que tem uma vidinha lá pulsando e dependendo de sua saúde e força para sobreviver...
    E isso os torna inseparáveis pelo resto da vida!
    Bjs e boa semana
    Fiquem com Deus!

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  7. É exatamente isso Van, a parte de só nós compreendermos a necessidade deles, meu marido reclama que a Mariana não gosta do colo dele, porque não para e comigo para de imediato. é o vínculo, sentir os batimentos como quando estavam na barriga ainda, o cheiro do leite, a voz, tudo o que traz segurança à eles. Depois com o passar do tempo, ameniza, diminui, mas não se rompe jamais. Beijocas amiga.

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  8. Olá Vanessa!!!

    Vim agradecer a visita no meu blog e me deparei com esta poesia!!!
    Maravilhoso texto!!!

    bjs,

    Cláudia

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  9. Adorei o Texto. Conseguiu encontrar palavras para descrever o que pra mim parecia impossivel de conceituar!
    Vc parece ter o dom da escrita. Parabéns!
    Bjos!!

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