sexta-feira, 4 de junho de 2010

Resulatado da promoção de lançamento



Ler os textos da promoção de lançamento do blog foi a melhor parte. Foram histórias lindas cheias de significado para quem escreveu e também para quem leu ,  já que mãe é tudo igual. O difícil foi ter de decidir por um dos textos. A escolha entre lindos relatos de vivência materna ( no papel de mãe ou filha) , de parto , e história de vida , foi pela belíssima narrativa de Adriana Matielo, a Di do blog Mãe bipolar, filha jacaré. A história de Adriana contém todas as outras, pois começa antes do filho nascer e vence todas as dificuldades para que o sonho da maternidade aconteça. Parabéns à Adriana e muito obrigada a todas as demais participantes. Em breve teremos mais movimento por aqui. Lei abaixo a história de mãe vencedora, ela foi editada para não ficar muito longa mas as partes fundamentais estão preservadas.

Demorei bastante tempo pra engravidar da Rebeca (cerca de 2 anos), sendo que tive um aborto anos antes e outro durante esses dois anos de tentativa. A minha odisséia até alcançar a maternidade começou com a primeira gravidez, o primeiro aborto.

Em 2003, novembro, eu descobri que estava grávida. Foi a melhor coisa que eu senti na minha vida (ate aquele momento). Fui tomada de uma felicidade sem igual, e apaguei o cigarro que estava na minha mão na mesma hora que li o positivo...foi em 2003 que eu iniciei meu tratamento para bipolaridade também, poucos meses antes, e estava tomando remédios que na época ainda eram experimentais e tudo o mais, além de estar num peso excepcionalmente alto. Devido à união desses fatores, a gravidez foi interrompida.

No entanto, se a gravidez não foi ate o final naquela época, fez surgir em mim um sentimento que já tinha um tempo brincava comigo. Um desejo, uma vontade de cuidar. E surgiu ali um amor que precisava então ter um foco. E começou ali, meio tímido, minha jornada.

A primeira providência que tomei foi refazer a gastroplastia que tinha de modo a perder peso suficiente pra ter menos chances de ter uma pre eclampsia. Emagreci com isso 38 kg, e ... decidi começar a tentar.

Com o primeiro aborto eu larguei o tratamento da bipolaridade, mas logo retornei e o mantive e mantenho sem questionar desde então. Eu sabia que essa era uma das medidas que eu precisava ter: eu precisava ficar estável tempo suficiente para que, ao suspender a medicação durante a gestação, eu fosse capaz de ficar bem.

Estava estudando e tentando voltar a trabalhar. Morando sozinha, só eu e o Taz, e ele trabalhando e querendo voltar a estudar também. Parecia uma boa hora pra começar a tentar, já que eu não acreditava que seria algo fácil. Sempre tive ovários policisticos, mal de família, e sabia que a tendência era demorar um pouco.

Na época eu tomava anticoncepcional injetável,e me dei muito mal com ele, pois eu parei de menstruar...Assim como da primeira vez em que isso aconteceu na minha vida, quando finalmente o tratemento funcionou, eu dei literalmente pulinhos de alegria.

Ainda sim, foram mais uns meses de tratamento, e depois mais 6 meses de tentativas livres, e depois mais 3 meses de indutor ovulatorio, pra ai, engravidar a primeira vez. E mais uma vez uma alegria incrível! Contei pra todos assim que soube. E uma semana depois tive que contar que perdi...

Retoma tratamento, retoma pílula, retoma tudo, e mantém a paciência. Nessa fiquei deprimida e acabei engordando 10 kg. Fui viajar, tive uma das minhas piores crises de mania enquanto estive fora e a pior depressiva quando voltei.

Sabia que teria que levar o tratamento mais a serio, pra bipolaridade, mas ainda queria continuar tentando. Voltei com os remédios, mas não tão fortemente, e pouco depois já os abaixei. Mas comecei um negocio, e vi que não estava conseguindo leva-lo sem a medicação adequada pra isso. E, como nada de engravidar de novo, tinha voltado a morar com meus pais, o que deveria ser temporário mas ainda sim... Pensei em deixar pra lá, esperar mais 2 anos, dar o gás no trabalho primeiro já que essa idéia tinha sido concretizada primeiro.

Ai, assim, como quem não quer nada, veio a Rebeca. Bem ai, nesse contexto. E eu senti de novo a maior felicidade de todas. Porque eu sabia que eu queria, sabia que amava, sabia que faria qualquer coisa por ela. E fiz.

Abri mão do negocio, e hoje nem o quero mais devido a imensa carga emocional que se depositou ali, negativa, estressante, triste. Não quero.

Abri mão de baladas, de noites de sono, de não ter que me preocupar se tem hora pra acordar, pra dormir, pra comer, se tem hora e pronto. Abri mão de muita gente que eu chamava de amigo, que me criticou, muitas vezes pelas costas. Que sumiu, que deixou de me procurar, de ligar, de se preocupar. Que ficou com ciúme.

Abri mão de muita coisa.

Mas não abri mão de ser feliz. Não abri mão do meu coração. Não abri mão de mim mesma, de quem eu sou e do que eu quero.

Daquela vez, anos atrás, quando eu vi a possibilidade, eu me perguntei "e se for, como eu quero que seja?" Não sobre como eu quero que a Rebeca seja, ou o que ela vai fazer da vida e essas coisas. Não. Como eu quero que seja a rotina, o que eu quero que ela possa esperar de mim. O que eu considero uma boa mãe, pra que eu seja assim, por que eu quero ser uma boa mãe. Quais serão as prioridades? O que é superfulo? Como eu acredito que devo e o que devo ensinar a ela? Que exemplos eu quero dar?

...

Quando eu decidi ser mãe eu revi todos os meus conceitos, e ouvi muito de que "quando você tiver um filho, é você que vai cuidar! Não conta comigo!!". E isso ficou na minha cabeça, e ainda fica. E durante a gravidez eu senti muito isso também. Mas eu já tinha aceitado que essas coisas poderiam acontecer, e tinha decidido que tudo isso valia a pena se a recompensa fosse o sorriso da minha filha quando me vê.

E é uma recompensa enorme, revigorante, que me faz engolir muita coisa, muito choro, muito nervoso, por que no fundo essas coisas todas passam, não são tão importantes assim. E se forem, vão continuar sendo amanhã e ate que eu possa lidar com elas. Mas o sorriso da Beca? Nossa... Não tem igual, por que parece que muda todo dia, só não muda o fato de ela sorrir.

Não existe uma sensação igual a de amar alguém tão profundamente que você esta disposto a mudar tudo o que você conhece . Não que precise e vá fazer isso, mas estar disposto a fazer isso se for necessário. E nada igual a ter alguém sorrindo pra você, ao te ver, fazendo festa, por que esta feliz só por que você existe! Te ama por quem você é, te conhece por dentro, te reconhece pelo cheiro, e sorri, por que a sua existência faz a felicidade dela. Não tem igual, não tem preço, e vale cada noite mal dormida, cada briga, cada conta não paga, cada momento que as vezes não só não é o melhor, mas é ruim, bem ruim.

Sabem, quando eu decidi ser mãe eu tive que aceitar que minha vida iria mudar muito e que a escolha de como lidar com isso seria minha, de uma forma ou outra.

Quando eu decidi ser mãe eu aceitei ser responsável por outra pessoa que seria por anos a fio incapaz de fazer as coisas sozinha e se responsabilizar por elas quando as fizesse.

Quando eu decidi ser mãe eu aceitei que a vida não era um mar de rosas e que muitas dificuldades que eu ignorei por muito tempo teriam que ser encaradas e quase que certamente vencidas.

Quando eu decidi ser mãe eu tomei a decisão mais importante da minha vida, a única da qual eu nunca poderia voltar atrás.

Eu decidi ser feliz. ^^

Adriana
 


 * imagem google images



2 comentários:

  1. fiquei muito feliz de ganhar, e de vir aqui e ler de novo esse texto que escrevi com tanto carinho. Vou linkar!

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  2. Parabéns Adriana!
    Lindo relato.
    Bjs!

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