sexta-feira, 14 de maio de 2010

Publicidade e infância



Publicidade é um tema que sempre me fascinou. Tanto que eu já quis ser publicitária um dia. Por conta disso assisto a filmes publicitários com atenção desde que me entendo por gente. A publicidade voltada para a infância tem sido mina preocupação desde que me tornei mãe. Já escrevo no Fio de Ariadne sobre isto. E o caso é o seguinte: Curiosamente, meu filho não gosta de televisão. Há um ou dois meses ele começou a pedir para ligar a tv, mas não liga muito para o que está sendo apresentado . Ele começou a conhecer os personagens infantis mais famosos somente agora, ás vésperas de completar 3 anos, e ele não aprendeu em casa, já que não assiste tv. O convívio com os colegas da escola trouxe Backyardigans, Mickey e os Carros para sua realidade.

Confesso que até o momento estou muito contente com essa resistência à tv. Ele realmente prefere brincar do que ficar sentado parado olhando para a tela. E não é o caso de hiperatividade ou coisa parecida, não se trata de uma criança que não consegue ficar parada , ele só não se interessa por ficar parado na frente da tv. As pessoas estranham, pois parece que é comum  às crianças ficarem horas na frente da tv . Eu mesma me lembro de ter crescido assim. Eu fazia muitas vezes meus deveres escolares em frente assistindo tv. Talvez a preocupação com o consumo e a infância fosse menor há décadas atrás por que a agressividade do veículo publicitário fosse também menor, mas não inexistente. Tomo como exemplo a campanha Não esqueça da minha Caloi, veiculada entre os anos 70 e 90 . Nos meus 7 anos, lembro que, sugestionada pela campanha que formulou o conceito de que escrever bilhetes para os pais pedindo a bicicleta daria resultado, fiz tudo o que o comercial sugeria e terminei ganhando a Caloi 10.





Este método da publicidade parece até romântico diante do que vivemos hoje, quando crianças são sugestionadas diariamente por uma indústria que visa criar o sentimento de constante insatisfação e consequente consumo desenfreado. Não se trata mais de uma bicicleta no natal, o consumo precisa ser , de preferência diário e os produtos, descartáveis. Talvez, se meu filho continuar achando a tv uma coisa não tão interessante quanto seus livros e brincadeiras eu consiga mantê-lo próximo do ideal refratário que eu sonho para ele. Pelo menos até que ele cresça e consiga perceber o a ideia vendida junto com o produto.

Este texto escrito depois da leitura do blog Futuro do Presente , mas é claro que a conversa não termina aqui.
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