quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não bata. Eduque.


O Projeto de Lei n. 2654/2003 de autoria da Deputada Federal Maria do Rosário (PT/RS) propõe a punição para castigos físicos moderados ou imoderados em crianças e adolescentes. O projeto encontra defensores e críticos ardorosos porque esbarra num tema complicado. 

Quase todas as pessoas  tem filhos e os criam, bem ou mal. Não há pré condição para ser pai e mãe, com a responsabilidade imensa de criar uma pequena e indefesa criança e ajudá-la a transformar-se num ser humano pleno, seguro e inserido na sociedade. A tarefa é árdua mas qualquer um pode assumi-la. Não é preciso nenhuma carteira especial , como a de habilitação, frequentar qualquer curso regular ou diploma. A grosso modo, basta fazer o filho que, com ajuda da natureza, ele nasce. E depois que nasce, seja o filho desejado ou não , nos impõe desafios e questiona nossas determinações. Muitas vezes não nos conformamos com a insubordinação e sobra para mais fraco.

A criança vítima de castigos físicos é um personagem tão recorrente no nosso cotidiano, que em algum momento a sociedade resolveu que o Estado precisa parar os pais que agridem antes que uma nova geração de espancados cresça e continue passando o mal adiante. A quem pense que é absurdo um pai ser levado a refletir, através de apoio psicológico, sobre o abuso que é a violência contra crianças, fica a ponderação: Quando um adulto agride moderada ou imoderadamente um outro adulto o assunto pode acabar na polícia, não pode? Então por que as crianção não podem também ter direito à tutela do Estado no que diz respeito a sua integridade física e moral? Por que ele é "meu filho e tem que me obedecer" não vale como resposta.

No site Não bata. Eduque. é possível encontrar outras pessoas e instituições preocupadas com este estado de coisas, informar-se sobre o assunto , fazer parte da rede e ajudar a enriquecer o debate. Educar é mesmo muito, muito difícil e muitas vezes somos adultos assustados diante da possibilidade de termos filhos mal educados ou problemáticos. Outras tantas vezes somos apenas pessoas frustradas em nossas vidas pessoais e precisamos despejar a ira sobre alguém que seja mais fraco e tenha que "obedecer". É estranho imaginar que nossos filhos possam precisar de proteção contra nós mesmos. Mas acontece.

* imagem divulgação

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