segunda-feira, 17 de maio de 2010

Mãe mamífera e mãe profissional



Maternidade e trabalho é um tema relativamente novo e inesgotável. Para falar sobre isto , o Mãe é tudo igual convidará sempre uma mãe blogueira ou não para dar sua opinião. Hoje apresentamos a primeira parte do texto escrito escrito especialmente para o Mãe é tudo igual  por Carolina Pombo, psicóloga , escritora, editora do blog Enquanto Esperamos e mãe da Laura. 

"A gestação, o parto, o puerpério e a amamentação compõem um ciclo essencialmente feminino e fisiológico" - princípio indiscutível de um grupo de discussão sobre parto natural, chamado Parto Nosso. Desta premissa, o grupo sai em defesa do protagonismo da mulher no parto e na amamentação, chamando atenção para sua condição de mamífera. O discurso radical em defesa da maternidade como patrimônio naturalmente feminino levanta algumas bandeiras que eu considero super importantes nessa nossa era tecnológica, mas não ajuda muito a entender mulheres que optam por outro tipo de maternidade. Geralmente, ele encara a cesariana, a amamentação artificial e o uso permanente de babás, como se tais escolhas fossem sinais de falta de amor por parte da genitora.
Mas, eu parto da premissa de que toda mãe deseja o melhor para seu filho: a "mamífera", que assume inteiramente a tarefa de parir, alimentar e proteger ou a "profissional", que prefere contratar todo tipo de serviço que a substitua, inclusive no nascimento da criança (como nas cesarianas que não têm justificativa plausível). E assim, vemos uma quantidade de mães que, mesmo amando suas crias, optam pelas soluções da era tecnológica em detrimento do que é mais natural e saudável para seu filho. 
Em primeiro lugar, quero deixar claro que não considero a maternidade um dom natural, mas, não nego sua origem biológica. Ou seja, biologia e cultura se misturam para definir o que é ser mãe hoje. É inegável que apenas a mulher tem a capacidade de gestar, parir e amamentar. Psicologicamente, a mãe, aquela que pári e cuida do bebê nos primeiros dias, exerce funções fundamentais para sua estrutura psíquica. É dessa relação primordial que outras relações afetivas vão se tornando possíveis. 
Mas, também é um erro ignorar a conquista de um papel feminino mais livre, descolado das exigências de procriar e educar as crianças. Somos animais sim, mas racionais, sociais, e complexos! A questão é que mulheres emancipadas de nossa geração já têm sua identidade feminina e profissional muito bem esclarecida antes de engravidar - em grande parte dos casos - e não são capazes de abrir mão da concorrência profissional (inclusive e principalmente com os homens), para dedicarem-se quase exclusivamente a um bebê por tanto tempo.  Será que é por isso que, quando dou umas voltinhas com a Laura pela Lagoa Rodrigo de Freitas aos sábados encontro muito mais bebês acompanhados de babás do que de suas mães?

*leia a continuação aqui

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