terça-feira, 18 de maio de 2010

Mãe mamífera e mãe profissional - Parte 2



Ontem você pode ler a primeira parte do texto escrito por Carolina Pombo do blog Enquanto Esperamos.
Eis a continuação :


...Será que é por isso que, quando dou umas voltinhas com a Laura pela Lagoa Rodrigo de Freitas aos sábados encontro muito mais bebês acompanhados de babás do que de suas mães?
Sim, e não. 
Acontece que a mãe "profissional" se esforçou por alguns anos para ser uma mulher bem sucedida, com independência financeira e uma carreira promissora. Ela sabe que quanto melhor for seu desempenho profissional, melhor será sua chance de dar conforto e uma boa educação para um filho/a. Então quando a biologia se impõe e o teste dá positivo, lida com a situação como está acostumada a lidar com o resto da vida: “contratando” os melhores serviços. Assim, ela permanece ausente desde o nascimento -  anestesiada, via cesariana – desiste da amamentação, volta a rotina de trabalho cedo, e até durante a noite tem uma “ajudante” para cuidar do bebê.
A criança acaba desenvolvendo uma forma de se defender psicologiamente dessa ausência, expressando ora indiferença afetiva ora um ciúme exagerado. A mãe, que já não está muito empática ao mundo de seu filho/a, não compreende ou não tem paciência para lidar com a angústia e super exitação dele/a, afastando-se cada vez mais. Porque um recém-nascido exige tantos cuidados que só uma pessoa ligada profundamente e diariamente a ele é capaz de suportar com amor toda exigência dessa relação. (Taí mais um motivo para optar-se pelo parto natural, pois este marca a disposição sacrificial que a mulher precisa ter até que o/a filho/a seja menos dependente). Somente quando o bebê passar da fase de total dependência para uma organização psíquica razoável e uma rotina mais estável, sua cuidadora será capaz de sentir alguma retribuição.
Do ponto de vista de uma psicologia clínica e social, não se pode afirmar que o bebê cuidado por uma outra pessoa que não a mãe biológica é menos saudável, poque o holding (ou seja, a satisfação das necessidades básicas do bebê e o manejo carinhoso dele) não precisa ser feito exclusivamente por ela. Mas, é importante que haja estabilidade e que assim ele possa se desenvolver com confiança. Por outro lado, uma mãe que não está consciente de sua escolha e que vive em conflito, pode acabar transferindo para a criança uma carga enorme de culpa e frustração que ela não tem a menor maturidade para entender. Isso pode deixar criança e mãe irritados, e gerar um clima familiar muito desconfortável, favorecendo o surgimento de transtornos mentais, como a depressão, e dificuldades de aprendizado.
Eu, como mãe e psicóloga, gostaria que todas as mulheres que têm condições financeiras para tal, optassem por viver com mais intensidade o nascimento e a primeira infância de seus filhos e que assim contribuíssem para uma sociedade mais humana. Mas, acho que todas as mulheres têm o direito de escolher que tipo de maternidade exercer, sabendo porém que isso tem consequências. Por isso o que acho condenável é aquela mãe que transmite para os filhos sua insatisfação eterna e não se responsabiliza pelas escolhas que faz. Quis fazer uma cesariana desnecessária? Sabe que pode ter um pós-parto mais dolorido, e ter mais dificuldades para amamentar. Não quis amamentar? Sabe que terá que lidar com um filho alérgico (dentre outras doencinhas chatas). Deixou que a babá cuidasse do bebê por muito mais tempo que si mesma? Sabe que o vínculo com ele pode ser definitivamente afetado. Decidiu abrir mão da profissão durante o primeiro ano da criança? Não cobre dela gratidão pelo enorme sacrifício! Não quis dividir com o pai as tarefas da maternagem? Não cobre dele uma postura mais participativa. Enfim...
Sabemos que a responsabilidade de gerar e criar um ser humano é imensa, e que a sociedade não ajuda muito as mulheres nessa tarefa, de maneira geral. Por isso, para uma maternidade saudável e mais prazerosa, o ideal é se informar e ter honestidade consigo mesma e com a família. 

* imagens Google images

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2 comentários:

  1. Adorei o texto Carolina!
    Reflete em muito meu pensamento em relação a isso.
    É o que falo para minhas amigas quando ficam nessa dúvida se deixam de trabalhar ou não para cuidar somente do filho: Seja qual for a decisão a ser tomada não será nada fácil. E tenha a absoluta certeza do que quer fazer.
    A pior coisa é uma mulher frustrada pq não viu seu filho crescer, ou pq largou sua carreira para ficar em casa.
    Sortuda aquela que consegue conciliar as duas coisa perfeitamente né?
    Acho que é sonho da maiorias das mães...

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