As histórias que eu quero contar para o meu filho

terça-feira, 24 de janeiro de 2012




Assim como todas as crianças, meu filho é super esperto. Assim como todas as mães, quero para ele o que há de melhor e, se isso não for possível 100% das vezes - como, de fato, não é - quero o melhor  possível. Como boa criança urbana, está a mercê do consumo desenfreado . Ainda que eu me esgoele para tentar evitar, não dá para evitar tudo. Relaxemos, oremos, tentemos.

E tentando alguma coisa me diz que se eu ajudar a formar um leitor conhecedor das coisas do Brasil, as reais coisas do Brasil, as histórias que nos formaram, que nos ajudaram a criar este país continental cheio de problemas e maravilhas, se eu puder ajudar a construir não só um leitor, amante dos livros, da leitura, seja ela digital ou no papel , mas um leitor e cidadão consciente de quem é , onde está , quem foram seus antepassados, o que realmente importa para nós, os brasileiros, não os nova iorquinos. Se eu conseguisse chegar perto disso...

Mas, como ? Que histórias eu poderia contar? Histórias da nossa origem. Qual é mesmo a nossa origem? Portuguesa, indigena, negra, italiana, japonesa, alemã. Tantas origens para um só complexo resultado, tudo junto, misturado e meu filho no meio dessa loucura sendo forçado a acreditar que o que importa é só o que vem de fora. 

Não, eu não sou uma louca xenófoba que só quer falar dos índios e nada mais. Eu sou uma mãe que quer ajudar a construir um filho melhor para o mundo , já que não deu para deixar um mundo melhor para ele. Onde será que eu posso achar essas histórias para ler para o meu filho, histórias contadas desde sempre pelos grupos que ajudaram a formar o Brasil? Algumas nos chegaram sob o nefasto codinome folclore - e minha implicância com esta classificação ficará para uma outra oportunidade - mas outras estão por aí, registradas em alguns livros ou contadas oralmente dentro de alguns poucos grupos. Ah, eu queria poder contar essas histórias...Conhece alguma? 

* imagem Wikipédia 

Sobre Crianças e Lobos - Nossos filhos e essa história de BBB

terça-feira, 17 de janeiro de 2012



Não, eu não estou assistindo ao BBB12 e sim, sei do bafafá que está rolando. Não eu não assisti nem um minuto, nem ao vídeo no You Tube, sim, eu fiquei sabendo dos detalhes. Não, meu filho não assiste BBB em casa também, sim ele já ouviu falar no assunto. Hoje me perguntou: Mãe, que é BBB. Respondi que é um programa de adulto, que criança não iria gostar de assistir. Ontem o acontecimento foi ver o menino, aos #4 saindo do banho cantando o refrão de "Ai, se eu te pego" com dancinha e tudo. Não, eu não escuto Michel Teló em casa - ou qualquer outro lugar . E agora.

Como já disse Khalil Gibran: " Vossos filhos, não são vosso filhos" . E por mais que eu queria não conseguirei blindar meu filho contra tudo o que considero não interessante e que está ao nosso redor. Então tá, não dá para evitar. Mas, querem saber? Acho que dá para minimizar. Como? Estou em fase de testes mas faço assim:

- Não dou destaque para atitudes que vejo no meu filho e que não gostaria que ele tivesse. Se não tenho como evitar que ele ouça aquela música estranha, pelo menos não dou cartaz quando ele a repete enrolado na toalha por mais bonitinho que seja. 

_ Respondo com naturalidade quando ele me pergunta coisas que normalmente me causariam uma síncope cardíaca, com crianças de #4 ou #99 o negócio é não dar trela. Crianças são crianças. É claro que me incluo no rol, é da natureza humana. 

Quando o assunto é cultura, não existe certo nem errado, bom ou mau. Existe a minha cultura e as outras e tudo o que eu posso - e devo - fazer é aceitar as demais manifestações culturais e manter o meu caminho em frente. E é claro que eu não desejo manter meu filho alheio a tudo o que acontece e com um saco enfiado na cabeça. Só gostaria de mantê-lo ligado no meu conteúdo até que ele tenha discernimento para escolher o seu próprio. 

Resumindo: Serviço de mãe é pesado.

Sim, eu voltei . Estava de férias e fico muito feliz pelo blog ter mantido a visitação mesmo com a falta de atualização nas postagens. Obrigada!. 

Mães pelo mundo - Canadá II

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011





Esta semana , o Mãe é tudo igual conversa com a Ana Paula, do blog Colorida Vida direto do Canadá que fala sobre sua vida por lá. Entre outra coisas, Ana conta como estranhou a independência que os canadenses possibilitam aos filhos pequenos. Diferente dos pais brasileiros. Aproveito para recomendar o blog da Ana, colorido e cheio de conteúdo.


Blog  - Há quanto tempo você mora fora do Brasil? Suas filhas nasceram fora?

  Ana - Moramos em Vancouver, no Canadá, há quase cinco anos. Minha filha mais velha é carioca e veio pra cá com quase 3 anos. A mais nova nasceu aqui.



 Blog - Como suas filhas  vivenciam sua dupla identidade cultural? Como foi a adaptação a nova cultura?

  Ana - Só posso falar da mais velha, porque a caçula é canadense de qualquer jeito! *risos*     A Laura era muito pequena quando chegou aqui, ela não estranhava muito a questão da cultura, mas mais a saudade dos avós e tios. As duas falam português super bem, sabem quando mudar de português pra inglês numa boa. Nossa adaptação até que foi tranquila, até porque temos muitos amigos brasileiros também, o que nos fez sentir menos perdidos no início.



Blog -Como é  o lazer das familias em Vancouver ? Se você já postou sobre isso, pode mandar os links?

Ana -As famílias de Vancouver gostam de curtir a natureza. Andar de bicicleta, caminhar, fazer piquenique nos parques, mergulhar nos lagos. Claro que no verão é que isso acontece mais. Mas no inverno tem as atividades de frio, como esquiar nas montanhas, patinar no gelo, entre outras coisas. Aqui tem muitos parques lindos, muito verde e muita área de lazer para crianças. 


Alguns posts onde eu falo sobre o lazer aqui na costa oeste:

 Blog - Pode contar como funciona a rotina das mães onde você mora. Existe um bom sistema de creches ou as mães ficam em casa? As mães se relacionam, criam comunidades? Existem babás?

  Ana - Muitas mães trabalham fora. As que o fazem colocam os filhos pequenos em creches que são super caras. Outras ficam em casa, principalmente as que têm muitos filhos pequenos, porque como eu disse creche aqui é super caro. O que acontece muitas vezes é que elas param de trabalhar para ter os filhos e depois que o mais novo vai pra escola com 5 anos, elas voltam a trabalhar. 


Sobre comunidades de mães, eu acho que até deve ter, mas eu não participo de nenhuma. Não conheço. Babás existem sim, e são tão caras quanto creche, se não for mais. Compensa se você tiver mais de 1 filho, às vezes fica mais barato ter babá do que colocar em creche. Depende de cada família. 

Blog -Quais as principais diferenças culturais e econômicas e educacionais você encontrou aí em relação ao Brasil no que diz respeito a criação dos filhos?

Ana -O que eu reparei logo de cara quando cheguei aqui foi que o canadense é meio desligado com os filhos. Quando eu digo desligado é que não ficam no pé da criança o tempo todo e não superprotegem. Um exemplo: num parquinho dentro de um shopping, as crianças caíam no chão e os pais não acudiam, as crianças acabavam levantando sozinhas e continuando a brincar. O pai brasileiro corre, acode, beija onde machucou enquanto a criança faz aquela manha básica e chora. Estou falando de crianças pequenas, que acabaram de aprender a andar até uns 2 anos de idade. 


Outra diferença é o tal do play date. Quando a criança já está em idade escolar, é normal marcar encontros com os amiguinhos para brincar. Às vezes vão direto da escola pra casa do amigo, ou dormem na casa dos amigos no tal "sleep over". Ainda estou me adaptando com esses costumes.

São muitas, muitas diferenças culturais, não dá pra mencionar tudo. Quem quiser saber mais sobre como é nossa vida aqui, convido a ler meu blog. :)


Lendo os clássicos para as crianças

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011



"Fazia um frio terrível. A neve caía e dali a pouco ficaria escuro. Era o último dia do ano: véspera de ano-novo. Nas ruas frias, escuras, você poderia ver uma pobre menininha sem nada para lhe cobrir a cabeça, e descalça. Bem, é verdade que estava usando chinelos quando saiu de casa. Mas de que adiantavam? Eram chinelos enormes que pertenciam à sua mãe, o que lhe dá uma ideia de como eram grandes. A menina os perdera ao atravessar correndo uma estrada no instante em que duas carruagens avançavam ruidosamente e numa velocidade apavorante. Não conseguiu achar o pé dos chinelos em lugar nenhum, e um menino fugiu com o outro, dizendo que um dia , quando tivesse filhos poderia usá-lo como berço. " 

Assim começa o conto a Pequena vendedora de fósforos , de Hans Christian Andersen, que denúncia a miséria e seus efeitos na Europa do século XIX. Passados 166 anos da sua primeira publicação, o conto resiste como clássico por tratar de um tema humano e ainda não ultrapassado. Eu li essa história quando criança e ela me impressionou muito. De todos os contos infantis é o que mais me marcou. Curiosamente é um dos poucos contos famosos que não teve modernização da Disney. Meu palpite é de que não há como pintar esta triste história de uma maneira palatável para os pequenos. A história é triste e ponto final. Não dá para omitir as partes dolorosas, como no caso de Os três porquinhos, em que dois dos irmãos são comidos pelo lobo com a maior facilidade para no final o próprio lobo virar cozido do terceiro irmão. Do mesmo modo não é possível atenuar o sofrimento como Disney fez com A pequena sereia, que na versão animada não sente terríveis dores nos pés, ao deixar de ser um ser marinho. A pequena vendedora de fósforos morre mesmo no final , de fome, de cansaço e principalmente de frio e falta de amparo. Acho que a leitura dos clássicos infantis é primordial para o desenvolvimento das crianças. A apresentação dos arquétipos e dos debates presentes em cada conto clássico ajudará - este é o meu modesto entender de mãe - as crianças a compreenderem a si mesmos,  ao mundo e seus desafios, além dos outros seres humanos com quem deverão conviver no futuro. 

Mas como, eu me perguntava, deveria apresentar os clássicos para o menino de 3 anos? Não queria a ajuda do audiovisual para dar à imaginação do meu filho a chance de trabalhar e criar imagens mentais das histórias. Então comecei contando  sozinha e dramatizando, sem os livros. Na escola, ao mesmo tempo e por sorte , ele foi sendo apresentado aos contos com o auxílio dos livros nas contações. E agora, a medida que vejo que ele está totalmente familiarizado com cada conto - como o caso dos três porquinhos - eu apresento a versão original. Isso foi um pouco antes de levá-lo para ver uma peça Os três porquinhos, o musical, em que os personagens principais cantam black music. Assim, ele foi capaz de compreender que aquilo era uma outra maneira de contar a mesma história que ele já conhecia de cor. Estava diferente, mas não errado, era uma outra versão. 

Ele não se conforma muito de o caçador, seu personagem principal de Chapeuzinho Vermelho, não aparecer no conto original , afinal o caçador é que pega o lobo. Em uma das  primeiras versões,  além de não haver caçadores, o lobo come não só a vovozinha,  ele come chapeuzinho também. E antes que vocês me chamem de mãe desnaturada que conta clássicos infantis nas versões punk eu explico. Meu filho nunca teve medo do lobo. Nas dramatizações ele sempre É o lobo. Sei onde estou pisando e ele sabe o que está sendo contado. Assim como cada mãe sabe o que pode contar a cada filho em cada momento. 

E para ninguém dizer que eu sou uma mãe louca contra Disney, achei um curta que concorreu ao Oscar em 2007 produzido pelos Estúdios Disney narrando com quase nenhuma modificação do original o conto A Pequena Vendedora de Fósforos. Só pretendo apresentar ao meu filho quando ele já tiver maturidade intelectual suficiente para compreender a tudo o que se passa na história, mas está muito bonito.



Bom essa é minha experiência com os clássicos. Qual a sua? Conte aí nos comentários e apareça para debater este que é o tema da semana no Grupo Rainhas do Livro


* imagem de Arthur Rackham, 1932

Por que ler para as crianças?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011



Ler para os filhos é uma coisa boa. Estimular os bichinhos a vivenciarem a experiência da leitura, partilhar com eles esta viagem que nós, os pais leitores já conhecemos bem e que sempre nos acrescenta, é fundamental. Sim, isso todo mundo sabe. Pelo menos quem tem acesso a toda esta informação contida dentro dos objetos de papel com letras e figuras, estas a maior ou menor quantidade.

Mas a pergunta aqui hoje é por que nós lemos? Qual a motivação urgente que nos leva a ler para as crianças? Queremos que elas leiam melhor, isso fará diferença em sua vida escolar , acadêmica e profissional. Queremos que elas aumentem o vocabulário, que tenham uma boa bagagem cultural, que conheçam os clássicos, os nomes dos autores. Partilho desta busca dos pais de hoje em dia, ainda que  não completamente, já que eu sou  tão apaixonada por livros que tudo o que eu queria era que meu filho pudesse descobrir como é bom ler e sentir o mesmo prazer que eu . Coisa que os filhos da Fernanda Reali já descobriram.



A  motivação, contudo, que me deixa intrigada é a da auto ajuda para crianças ou dos livros tipo educativos. Se eu disser que não simpatizo muito com os livros brinquedo vocês podem achar que sou maluca e me chamar de radical. Talvez eu seja mesmo radical e por isso vou ficar na auto ajuda. O consumo é algo tão forte atualmente que é muito comum ver indicações de livros para determinados assuntos a serem " trabalhados" com as crianças, como a morte, o nascimento de um irmão, a troca de escola, o desfralde. Eu realmente vejo esse tipo de indicação com reserva e fico com a impressão de que o livro é um produto descartável como a fralda que a criança está deixando. Este tipo de indicação também passar uma mensagem de que os pais não podem lidar com as questões que os filhos lhe apresentam sem uma muleta, qualquer que seja e que os livros tem um propósito e uma utilidade muito , muito menor que a real. Livros como sabão para roupas, este para as claras, aquele para escuras e um outro para as coloridas. Não consigo gostar dessa ideia. Gosto é de livros, por isso eu leio para o meu filho. 

Divagações a partir de uma conversa com a Ceila Santos e a Luana Franceschi

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